
terça-feira, 28 de outubro de 2008
O REDENTOR ESTÁ COM UMA COR ESTRANHA

sexta-feira, 24 de outubro de 2008
SÃO SEBASTIÃO DO RIO DE GABEIRA

Com o tempo bom, voltei a pedalar e, durante meus percursos, revivi algumas passagens da história de amor que tenho com o Rio de Janeiro., começando pela primeira canção que compus, uma ode ao Rio, que escrevi quando tinha 10 anos de idade.
Estávamos em São Gabriel no mês de fevereiro e forçados pela chuva, meu irmão Gastão, meu primo Didito e eu resolvemos fazer um campeonato de canções. Não tocávamos nenhum instrumento a não ser bater em latas e mesmo assim nos separamos em quartos diferentes, eles em dupla e eu sozinho para compormos à Lupicínio, sem acompanhamento imaginando a harmonia na cabeça.
No quarto em que fiquei, havia uma revista com uma reportagem sobre as chuvas de verão do Rio, com imagens de deslizamentos e carros arrastados pelas águas. Aquilo para mim parecia um contrasenso e felizmente nas páginas seguintes apareciam fotos do Rio como eu gostava de ver, cenas do Maracanã, os cartões postais, os bikinis em Copa e Ipanema.
Rapidamente rabisquei um refrão que era simplesmente o nome da cidade repetido com uma melodia que ia mudando e alguns versos falando das praias, dos times, das belezas naturais com rimas ingênuas do tipo Copacabana e Vasco da Gama.
Cinco anos depois, nas férias de julho, finalmente conheci o Rio e aqui festejei meus quinze anos de idade. Vim com meus irmãos, Gastão e Carlos Eduardo, em um ônibus da Viação Penha numa viagem de 24 horas, deixando para trás as manhãs enevoadas e as folhas brancas de geada do inverno gaúcho.
O contato direto com a cidade foi um deslumbramento. Tudo era vivo e novo, a luminosidade, os perfumes, o colorido da paisagem, as roupas estampadas, as peles douradas das meninas e os cabelos descoloridos dos surfistas. Ia a praia todos os dias e me esbaldava pela noite de atmosfera inebriante com brisa leve e maresia.
Passei parafina no cabelo, peguei jacaré no Arpoador, voltei queimado de sol e com os cabelos amarelados nas pontas. Queria conservar-me assim até o verão, mas o mês de agosto do sul tinha um sol tênue, muito bom pra se comer bergamota no portal de casa, mas que não sustentava o bronze por muito tempo e assim voltei à minha cor invernal que se manteve até a chegada de dezembro.
Passados muitos anos, estava em Viena para fazer alguns shows num clube de jazz chamado Porggie & Bess e encontrava-me na casa de uma amiga, Denise Fontoura, entre o Natal e ano novo quando, na televisão local, passou uma reportagem sobre o Rio de Janeiro que mostrava o massacre da Candelária, a chacina de Vigário Geral e outras mazelas.
Assistir àquela matéria em um país distante com a neve caindo lá fora a menos 16 graus centígrados, provocou-me um profunda tristeza. Senti que só fazendo uma nova canção poderia aliviar minha dor.
Então lembrei que dias antes de minha viagem à Europa, assistira em Porto Alegre, junto com meu amigo e grande músico Jorginho do Trumpete, que é filho de mãe de Santo, a uma cerimônia de Umbanda na beira no Rio Guaíba. E fiquei com uma levada de percussão na cabeça que era, como Jorginho me explicou, um ponto de Oxóssi. Assim como no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul Oxossi é sincretizado com São Sebastião.
Daí fui ler sobre Oxóssi e, num um livro de Pierre Verger, aprendi que ele é caçador, irmão de Ogun e tem outros nomes/qualidades: Odé, Otin, Inlé ou Iboalama.
Fiquei obcecado com a idéia de compor uma música com a levada percussiva do ponto de Oxóssi e, para fazer a letra, resolvi pesquisar também sobre a vida de São Sebastião.
Foi então que aprendi que, por volta de 300 DC, Sebastião alistou-se no exército romano e veio a fazer parte da guarda pessoal do imperador Diocleciano, não no intuíto de protegê-lo, mas sim de, clandestinamente, prestar socorro aos cristãos cuja perseguição havia sido decretada pelo mandatário de Roma.
A imagem que conhecemos do Sebastião flechado reconstitui o dia em que, ao tomar conhecimento das ações do seu soldado, o imperador condenou-o por traição e ordenou sua execução por hábeis arqueiros da Mauritânia que deveriam crivá-lo evitando acertar os seus órgãos vitais para que seu suplício fosse longo.
Eis que, apesar dos numerosos ferimentos, Sebastião sobreviveu ao atentado e foi socorrido por uma viúva chamada Irene (Santa Irene) que o ajudou a se reestabelecer, para depois retornar ao centro do império e prosseguir com a missão a que se havia incumbido. No dia 20 de janeiro voltou a apresentar-se perante Diocleciano, para reafirmar a sua fé e censurar as injustiças e crueldades praticadas pelo Imperador que manbdou espancá-lo até a morte.
Como se sabe, Sebastião foi canonizado e passou a ser também venerado como protetor da humanidade contra a peste, a fome e as guerras.
Logo depois de assistir àquela reportagem na TV austríaca, todas aquelas informações sobre o Santo e o Orixá vieram à minha cabeca e juntando-se ao fato de São Sebastião ser o padroeiro do Rio de Janeiro comecei imediatamente a fazer uma canção, com uma melodia sinuosa que fazia lembrar as curvas da cidade com uma harmonia e um ritmo que se aproximavam da bossa nova. No princípio relutei pois meu desejo era compor com o ritmo do ponto do Oxóssi, mas a canção foi se impondo e deixei que ela viesse no formato que me pedia. Em menos de uma hora estava pronta.
Batizei de São Sebastião em homenagem ao padroeiro e fiquei tão entusiasmado que, logo depois, liguei para o Gastão que estava no Rio pra mostrar a nova criação. Ele, com seu humor habitual exclamou:
- - Daquela sua Rio de Janeiro pra cá, melhorou muito!
Décadas haviam se passado e ele me fez lembrar daquela antiga música guardada em um remoto caderno da minha infância.
São Sebastião (a canção) teve, até hoje, quatro gravações. A primeira ocorreu em Viena por uma dupla de cantores brasileiros residentes lá, Izabel Padovani e Marcelo Onofri.
Em 2004, gravei no meu primeiro disco ao vivo com a Orquestra de Câmara Theatro São Pedro de Porto Alegre levando a música a ser indicada ao Grammy Latino como Melhor Canção da Língua Portuguesa.
Depois foi a vez de Mart' Nalia gravar no seu belíssimo disco Menino do Rio dirigido por Maria Bethânia que fez intervencões recitando versos de Vinícius de Moraes.
E finalmente gravei uma outra versão no DVD Sinal do Tempos, novamente com o acompanhamento luxuoso da Orquestra de Câmara Theatro São Pedro e que pode ser conferida no meu site. Lá estão letra e música e no Hot Site há uma versão inteira para se escutar.
Hoje é sexta-feira, o fim de tarde continua bonito com cigarras cantando e daqui a pouco vou sair para uma sessão de autografos do poeta Fabrício Carpinejar na Livraria da Travessa do Leblon.
Olho pro Rio e lembro que suas matas são protegidas por Oxóssi. A cor de Oxóssi é o verde. E é com verde que vou sair vestido sábado e domingo. Por isso convido os simpatizantes com Fernando Gabeira a fazerem o mesmo.
Recebi e repassei um e-mail falando disso, para criarmos uma onda verde e, silenciosamente mostrarmos a nossa preferência política e influenciarmos os indecisos na eleição de domingo.
O governador Sérgio Cabral decretou feriado na segunda para ver se os eleitores de Gabeira, que ele julga serem mais abastados, façam uma debandada da cidade e esvaziem a eleição. Mas os eleitores de Gabeira também são mais conscientes e não trocarão 4 anos que podem mudar a cidade para melhor por um fim de semana prolongado.
Então é isso gente. Bom fim de semana, voto consciente e bons passeios.
Abraços a todos
PS. Como sempre, tenho lido atentamente todos os comentários. Obrigado pelo carinho e contribuição de vocês. Hoje fiquei sem tempo para falar sobre isso, mas num outro post falarei.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
ALMÍSCAR

Tenho andado mesmo sem tempo para escrever aqui, pois estou com muitas canções por terminar, letras que estou fazendo para algumas melodias que me enviaram, uma música para um disco do meu time, o Internacional e também coisas para meu disco novo, além de gravações e mixagens.
Pretendo postar um texto em prosa em um ou dois dias, enquanto isso deixo três pequenos poemas que escrevi em um dia de chuva. Não possuiam nome e resolvi batizá-los com uma palavra que talvez os una, pois combina com o perfume delicado dos versos.
Boas vibes a todos!
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ALMÍSCAR
Os dedos delicados vão descendo
Buscando aninhar-se entre novelos
Passeiam entre pétalas e pêlos
E aportam no portal de vênus
As ondas derivadas desse encontro
Invadem pela praia o continente
E toda guarda cai como num sonho
Deixando um só gemido inconsciente
O universo todo em torvelinho
Concentrado fica nesse instante
Como se voltasse pro seu ninho
Pra recriar o espaço onde se expande
A proa apontada pro poente
A língua levitando uma leoa
Ao som da flauta pan em sua mente
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Havendo o beija-flor bebericado
Na fonte de um gerânio hospitaleiro
Vôou levando o bico açucarado
De um pólen que buscava paradeiro
E assim beijando a ave outras flores
Que amores despertavam só de vê-las
Sentiu-se logo o pólen encantado
Levando um gineceu a ver estrelas
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terça-feira, 14 de outubro de 2008
SIM E NÃO

segunda-feira, 6 de outubro de 2008
MILONGAS DOMINGUEIRAS, EL CUMPLEAÑOS DE CHICO BOSCO




