Sábado, 4 de Julho de 2009

SALMÃO, CHICO, AS PEDRAS E O ARCO




6:30 Acordei preocupado em colocar na “time line” do Final Cut (programa de edição de cinema) as músicas que fiz e gravei nos dois ultimos dias. Passei aqui para dar start ao post desse sábado, porque se for deixando pra depois vou mergulhar no trabalho e posso acabar não escrevendo nada hoje. Decidi que não vou a Sampa, pois é mais importante que eu termine minha parte da trilha por aqui.

Amanhã gravo com um pianista muito fera, David Feldman, no estúdio da gravadora Biscoito Fino onde há um piano Stanway maravilhoso e bons técnicos de gravação.

Ontem dormi pensando no escritor italiano Italo Calvino e já nesse começo de manhã me veio um trecho de um livro formidável de sua autoria chamado Cidades Invisíveis.

O livro é constituído de 55 mini contos em que o mercador, explorador e embaixador veneziano Marco Polo descreve a Kublai-Khan, as cidades do imenso território recém conquistado pelo então rei dos mongóis e dos chineses.

Mas se engana quem pensa que o livro vai contar a saga de Marco Polo o mercador que descobriu na China o macarrão e o trouxe para o ocidente. Não se trata de um livro de História, e, sim, uma ficção saborosa com tons de realismo fantástico e de surrealismo.

A medida que avançamos na leitura, encontramos cidades improváveis, que escapam ao olhar racional e oferecem surpresas constantes aos sentidos. Para entendê-las é necessário manter o espírito em emovimento e o olhar sempre curioso e investigador.

6: 46 Esse assunto me anima e pode render muitas linhas de texto e, por isso mesmo, terei que interrompê-lo agora, pois preciso começar a trabalhar.

10:16 As primeiras 3 horas e meia de trabalho renderam bem.  Aproveitei o silêncio da manhã e depois de testar a música com as imagens, gravei algumas vozes. Normalmente não gosto de gravar voz pela manhã, pois ainda está muito baixa e desaquecida. Mas fiz alguns exercícios e ela logo foi pro lugar. Ficou bom.  Primeiro porque essas vozes são incidentais, e pude experimentar bastante coisas. As melodias são simples e não há letra pra articular, por isso pude procurar timbres diferentes e efeitos. O ambiente silencioso me deixou muito concentrado e favoreceu a criatividade.

Salvei a agora vou comer alguma coisa.

 11:00 Essa pausinha veio a calhar. Tomei apenas um suco de uva com semente de linhaça e granola e depois li um pouco de jornal. No Globo uma materia sobre a FLIP (Feira Literária de Paraty) destacou o concorrido debate dos escritores Milton Hatoum e Chico Buarque. Chico, pela primeira ve,z falou de seu novo livro, Leite Derramado, que comecei a ler, depois emprestei e ainda não recebi de volta. Nas poucas páginas que li pude perceber a excelente construção e delicadeza dessa obra buarquiana que vem sendo apontada como sua melhor incursão no terreno da literatura. Eu já havia lido Estorvo (que achei meio chato) e Budapeste que me agradou muito. Na época do lançamento desse livro, eu costumava jogar futebol no campo do Pollyteama no Recreio e num daqueles dias voltando de carona com o Chico contei-lhe que havia lido Budapeste numa tarde de sábado. Ouvindo isso, ele lembrou de uma vez que Vinicius lhe dissera que quando alguém lê um livro muito rápido é, ou porque é muito bom ou porque não tem consistência. Respondi-lhe que naquele caso a leitura dinâmica se devia às boas qualidades do seu livro.

11:10  Preciso voltar ao trabalho.

 

14:30 Enviei por MP3 o trabalho de hoje pro pessoal que está em São Paulo, para que eles testem nas cenas e me passem suas impressões. É muito bom trabalhar em parceria com pessoas em quem se tem confiança. Um sustenta o trabalho do outro como as pedras de um arco. Isso me faz voltar ao assunto do começo do post, Italo Calvino e suas Cidades Invisíveis.

Num trecho do livro, “Marco Polo descreve uma ponte, pedra a pedra.
- Mas qual é a pedra que sustém a ponte? - pergunta Kublai Kan.
- A ponte não é sustida por esta ou aquela pedra - responde Marco, - mas sim pela linha do arco que elas formam.
Kublai kan permanece silencioso, reflectindo. Depois acrescenta: - Porque me falas das pedras? É só o arco que me importa.
Polo responde: - Sem pedras não há o arco.”

 14:42 Vou almoçar e passo por aqui antes de acabar o dia

21:12  Depois do almoço passei numa festa junina que estava rolando na Dias Ferreira, no Leblon, em frente a Livraria Argumento. Encontrei vários amigos, troquei alguns dedos de prosa, passei no supermercado e voltei pro estudio. Oraganizei a gravação, preparei partituras, salvei como PDF e enviei por e-mail para os músicos que vão gravar. Agora estou fechando a tampa e pretendo aproveitar um pouco a noite de sábado pra relaxar.  Dei um duro danado essa semana.

Antes , conforme  prometi, vou passar uma receita que será bem simples, dado o avançado da hora e também porque hoje é nossa primeira aula (rs).

Salmão com molho de maracujá e mel

Ingredientes

A quantidade dos ingredientes variam  com o número de pessoas.. Geralmente aplicam-se 200g de peixe por pessoa quando a refeição vem com acompanhamento.

800 g de Salmão cortados em 4 pedaços iguais, sal, pimenta branca moída / 2 maracujás  / 4 colheres de sopa de mel de abelha puro.

Pulverize o salmão com sal fino e pimenta do reino,  Aplique esses temperos com bom senso. Logo após  banhe o peixe com o suco dos e deixe descansar por 20 minutos  pra pegar o gosto. Enquanto isso, acenda o forno a uma temperatura de mais ou menos 180 ºC  e quando ficar aquecido,  cubra o peixe com uma camada de mel enrole no papel alumínio e deixe assar por cerca de 20 a 30 minutos. Cuide para que fique levemente esbranquiçado por fora, mas úmido e vibrante por dentro. Sirva com arroz branco perfumado com salsinha e batata a vapor. Harmoniza bem com vinho Sauvignon Blanc.

 Bom apetite.

Bom fim de semana.               

Abraços.

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

FILMES, TIMES, COISAS E PERSONNAS











Bom dia a todos.
Ontem não deu pra postar, mas isso não se deve em nada à derrota do Internacional. Simplesmente trabalhei de 7:30 até 22:30, com pequenos intevalos pra um café ou atender a um ou outro telefonema. Pra se ter idéia fui almojantar às 23:00. 

Cheguei em casa pregado e fui assistir no Sport TV, a um daqueles programas de mesa redonda em participa, entre outros, o Casagrande. O Casa é Corinthiano de nascença, começou a treinar no Timão aos 6 anos de idade, na categoria Dente de Leite. Gosto de vê-lo falar, pois é bem articulado e conhece bastante a arte do futebol. O time do Corinthians está muito bem estruturado e não é nenhuma vergonha ter perdido esse título. Além de tudo, o Inter estava disputando 3 campeonatos, tinha 2 jogadores na selecão e vinha meio desgastado pela sequência de jogos com time desfalcado e pelo excesso de stress dessas decisões. Agora acho que vai tudo se equilibrar e teremos um  brasileirão de alto nível. 

Tenho a impressão de que o futebol brasileiro está melhorando e penso que isso se deve, em parte, ao bom exemplo dado pela nova seleção, que é um time sério, sem os estrelismos e excessos daqueles jogadores que integraram o elenco de 2006 na Copa da Alemanha.  Aliás, ontem o Casagrande criticou a atitude do Ronaldo de pedir pelo fim das concentrações antes dos jogos. Argumentou que o Fenômeno não é flor fora do campo e que a ausência de concentração pode significar noitada na véspera e mau rendimento na partida. 

Para concluir esse papo sobre futebol, quero dizer que continuo com o maior orgulho de portar a camiseta do inter. Aos que tiraram onda aqui, parabéns aos Corinthianos (Patricia) e Cruzeirenses (Juliana, não se ofenda, mas eu simpatizo mais com o Galo);  aos Coritibanos o que tenho a dizer é que, na hora de não amarelar, amarelaram contra o Inter e aos gremistas complemento que agora também integram a trupe dos que bailaram (ver comentário de Tito).

Hoje o dia nasceu bem nublado no Rio, chovendo em alguns pontos como pode se ver na foto. Mesmo assim os passarinhos passeiam pela minha janela. Tem um cantando lindamente aqui perto do manjericão e do alecrim.  Adoro cozinhar e gosto de temperos fresquinhos, por isso fiz uma mini hortinha na minha sacada com ervas que utilizo nos pratos.  Se for do interesse dos leitores, posso passar algumas receitas por aqui. 

Comecei esse texto falando de trabalho. Como já escrevi anteriormente, estou fazendo a trilha de um filme chamado Enquanto a Noite Não Chega dos diretores Beto Souza e Renato Falcão, baseado no livro homônimo de Josué Guimarães

O filme trata da história de um casal e de um coveiro, únicos sobreviventes de uma cidade fictícia,  onde a modernidade não chegou e que estão em sua hora derradeira lembrando fatos de suas vidas. É uma reflexão sobre a existência com uma fotografia belíssima, feita em tecnologia 4k, que é um formato digital de última geração que exibe 4.096 pixels horizontais , multiplicados por 2.160 verticais o que dá um total de 8.847,360 pixels. Imaginem, então, a qualidade dessas imagens. 

Fiz umas fotos dentro do computador (maçã shift 3) extraídas do Quick Time do filme que estou utilizando para trabalhar. Mesmo com esse click feito a partir de um instantâneo da tela já dá pra perceber a beleza da fotografia do filme. 

A pós produção está sendo realizada em Nova Yorque e São Paulo. Entre hoje e domingo finaliza-se a correção de cor nos estúdios da O2 (leia-se Fenando Meirelles) em Sampa e talvez eu dê um pulo lá pra conferir. Se eu não postar amanhã é porque fui. Correção de cor é como uma masterização da imagem, em que define-se a palheta de tons (se vai mais para as cores vivas ou mais pastéis, por exemplo) e onde harmonizam-se as luzes das cenas, etc.

Falando um pouco dos diretores, Beto Souza tem vários filmes em seu currículo entre eles Netto Perde Sua Alma, vencedor do Festival de Gramado nas categorias Melhor Filme - Júri Popular, Melhor Montagem, Melhor Trilha Sonora e Prêmio Especial do Júri e do Festival de Brasília na categoria de  Melhor Ator (Werner Schünemann). 

Renato Falcão dirigiu meu primeiro DVD, Sinal dos Tempos, é autor de um inventivo longa metragem mudo e em preto e branco, chamado Festa de Margareth, que está sendo distribuído nos EUA pela neta de Charles Chaplin, Kira Chaplin. Além disso, Falcão trabalha atualmente na Fox e é o diretor de fotografia do novo filme da Blue Sky, que fez A Era do Gelo. Por isso estou tão comprometido com essa trilha, porque o trabalho tem tudo pra ficar muito especial.

Hoje a capa da Folha de São Paulo traz Lula em foto com integrantes do Corinthians portando a faixa e a Taça da Copa do Brasil em Brasília. Os jogadores preferiram comemorar o título com o Presidente (conhecido corinthiano) a festejar com sua torcida em São Paulo. Um ato político que pode ajudar a alargar a popularidade de Lula nesse momento difícil que envolve os escândalos do Senado com a possível renúncia de Sarney à presidência da casa e consequente fim da aliança do PMDB com o PT,  o que poderia comprometer totalmente a governabilidade. Mas de uma coisa tenho certeza: bastaria o PMDB  acenar com um apoio à candidatura de José Serra em 2010 para Arthur Virgílio e todo PSDB correrem a aparar as arestas do bigode de Sarney. 

Na Ilustrada uma matéria sobre um incrível grafiteiro que faz exposição no Museu de Bristol na Inglaterra. Banksy é seu nome de fantasia, ninguém sabe o verdadeiro e nem conhece seu rosto, a montagem foi feita por anônimos e ninguém sabia qual deles era o autor das obras.   A matéria fala que a mostra foi negociada em segredo, já que a cidade natal do artista mantém com ele uma relação de amor e ódio.  E não são apenas grafites que a mostra revela, há pinturas, esculturas e instalações de todo tipo. Entre outros feitos, Banksy espalhou seu trabalho pelas diversas alas do museu, e colocou no acervo de pinturas ruprestes um desenho de um homem com um carrinho de supermercado feito sobre uma pedra. Muita gente passava sem se dar conta, outros eram surpresos com o inusitado.  Em 2005 ele havia infiltrado a mesma imagem no Museu Britânico. Descoberta a fraude, a  instituição incorporou a peça à sua coleção permanente.  

Sobre o evento no Museu de Bristol ele disse: "Essa é a primeira exposição que faço em que dinheiro público, de impostos, é usado para pendurar minhas obras - e não para removê-las."
 
Seguindo aquele raciocínio do post anterior sobre a diferença arte e artesanato, qualifico Banksy no rol dos verdadeiros artistas. Seu trabalho é inovador, tem raridade, incide sobre a sociedade promovendo reflexão e mudanças. É inspirador e coloca a arte na frente da personna do artista.  
Quem quiser saber mais sobre a exposição, dê um pulo no site:

http://www.banksy.co.uk

Eu já coloquei nos favoritos.

Hoje tem Adriana Calcanhoto e Maria Gadu na abertura da FLIP em Paraty.
Chico Buarque (inventor, mestre e diluidor da música brasileira) também estará lá. 
Bem que eu gostaria de ir, mas até domingo preciso realmente finalizar a parte de criação e gravação da trilha.
Segunda começam as mixagens.

Obrigado Hannaly pela sua contribuição à entrevista ao site do 3° Ano - Colégio de Aplicação - Universidade Federal de Sergipe. Segundo me informaram, a entrevista será publicada hoje.  Segue o link:

 http://www.3anoacodap2009.hd1.com.br

Obrigado a todos pela presença e participação.
Bom fim de semana.
Abraços

Fotos
Camiseta do Inter
Duas Obras de Banksy
O Rio nublado hoje as 7:30
Imagens do Filme Enquanto a Noite Não Chega

Obs. o céu do Rio estava bem semelhante ao da cena do filme que coloquei logo abaixo.

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

PINA, MICHAEL E O INTER COM NILMAR



Hoje a Folha de São Paulo deu chamada na primeira página, capa e mais 1/2 folha na Ilustrada sobre a Pina Bausch. O Globo não colocou no Segundo Caderno que priorizou a Festa Literária de Paraty , mas deu uma página com bom texto no Obtuário com alguns depoimentos, entre eles de Ana Botafogo, que é da escola clássica, mas sabe bem o valor de Pina para o mundo da dança. A Zero Hora de Porto Alegre também deu matéria de capa do Segundo Caderno com depoimentos de artistas locais. 

Na Folha deparei-me com depoimentos do presidente da Alemanha, Horst Kohler, de Win Wenders, cineasta alemão que estava fazendo um filme sobre Pina, Deborah Colker, Rodrigo Pederneiras do Grupo Corpo e, entre outros testemunhos, um belo e emocionado texto de Gerald Thomas, o genial e polêmico encenador cuja obra é visivelmente influenciada pela de Pina Baush. A meu ver, eles tinham várias coisas em comum, entre elas,  a referência de Samuel Becket no seu fazer artístico.

Voltei a falar hoje de Pina Baush por várias razões, por ter lido essas matérias que reavivaram minhas lembranças e complementaram as informações que eu tinha, porque deixei de falar outras coisas importantes ontem e porque, respondendo a algumas perguntas extraídas dos comentários, talvez a Pina tenha sido mesmo mais importante pra mim do que Michael Jackson.

Mas não é a dança em si que me mobiliza e sim, de uma maneira geral,  os trabalhos que vão fundo e  investigam a condição humana, que vão atrás da lágrima pura e da alegria essencial. Por isso talvez, nos dias de  hoje (sic), eu sinta  Pina como uma figura mais importante do que Michael Jackson para minha formação e minhas descobertas. Eu faço a ressalva do hoje, porque esses dados  ainda estão rolando e, como meu contato com a música do MJ é mais antigo, talvez suas influências sobre mim ainda venham a se revelar de forma mais evidente no futuro.

O que posso dizer no momento é que assistindo a Café Müler, por exemplo, senti vibrarem minhas vísceras, como se sentimentos escondidos, de repente, viessem à tona, numa profusão de imagens,  lembranças e percepções que poucos espetáculos me proporcionaram. É como se falasse de mim e de todos.

Meu interesse pela dança já foi maior em outros momentos em que trabalhei com trilhas para grupos de Porto Alegre. Fui descobrindo dança assim, através do meu ofício e, nessa trajetória, participando de festivais,  fui me deparando com trabalhos muito interessantes, como o Grupo RosasWim Vandekeybus, ambos da Bélgica, Kazuo Ohno, do Japão a quem também assisti em Avignon na França, Dimitris Papaioannou da Grécia e, entre outros O Grupo Corpo e Déborah Colker do Brasil.

Complementando as informações do interesse da Pina pela cultura brasileira, a penúltima foto do post anterior, que várias pessoas comentaram, é do espetáculo Água, conhecida inicialmente como A Peça Brasileira de Pina Bausch, encenada aqui em 2001, depois de pesquisas feita por Pina e integrantes do seu grupo em Salvador.

Pina tinha uma frase pra resumir seu trabalho que eu gosto muito:
"O que importa não é como as pessoas se movem, mas sim o que as move". 

Com esse conceito ela quebrou alguns paradigmas dentro da dança, sustituindo os passos tradicionais, o levantar de pernas, as piruetas e arabesques por movimentos mais soltos, mais livres,  abstratos, muitas vezes introduzindo correrias, gritos, frases soltas, risadas e tudo o que pudesse trazer mais humanidade aos personagens.

Mas não pensem que não precisava ter técnica para trabalhar com ela. Pelo contrário, ela era muito exigente e não era fácil passar em uma audição sua, como observou a Beth em seu comentário ao post anterior. 

Aliás, Pablo, há uma diferenca entre dançarino e bailarino. Dançarino é todo aquele  que dança, mesmo que profissionalmente, como um dançarino de boate, do Faustão ou de uma banda de axé, por exemplo. 

Bailarino é que aquele que tem formação em dança, que estudou as técnicas e que tem uma certa reflexão sobre aquilo que faz com seu corpo. É como a diferença entre arte e artesanato, numa há uma reflexão, um empenho e algo novo, algum elemento de raridade, no outro há uma reprodução, uma manufatura sem maiores consequências. Isso bem à grosso modo, pois esse tema é bem complexo e merece um post a parte.

A frase de Pina sobre o movimento me remete,  a outra do filósofo Jean Paul Sartre:

L’important n’est pas ce qu’on fait de nous, mais ce que nous faisons nous-même de ce qu’on a fait de nous.
O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.

Fazendo um mix das duas idéias eu diria que o importante não é somente como nos movemos mas sim a transformação do que nos move em algo produtivo.

Pina me faz ter esse tipo de reflexão, me faz pensar em coisas que possam ter consequências, ao passo que Michael atua em mim em um nível mais periférico,  embora seja musicalmente bastante inspirador.  De qualquer forma os dois cantam e dançam dentro de mim e, como disse Anna Luna, talvez estejam montando um espetáculo conjunto no lugar para onde foram. Que estejam na luz.

Vou parando por aqui, pois ainda vou trabalhar mais um pouco até as 21:00. Depois disso vou torcer para o Inter na final da Copa do Brasil. Hoje o time joga quase completo (só vai faltar o Sandro) com a volta de Nilmar e Kléber que viajaram com a seleção brasileira para a vitoriosa campanha nas Copa das Confederações na África do Sul

Fiquei bem feliz com o que foi dito nos comentários. 
Nina, você tem razão, o Blog ficou às traças, mas agora estou com sede de escrever e falar com vocêdiariamente.
Giselle, Martina,  Hannaly, Carol, Fabiana, Bell,  Mariana e os que já citei no texto, obrigado pela visita.

Abraços a todos
Antonio

Fotos
O inter que joga a final da Copa do Brasil 
O olhar de Pina Bausch
Michael Jackson antes e depois: ele sempre foi inovador. Lançou a máscara de proteção respiratória e a moda das plásticas compulsivas  bem antes da gripe suína e da febre do bottox.


Terça-feira, 30 de Junho de 2009

PINA BAUSCH










A intensa luminosidade que envolve o Rio de janeiro no dia de hoje não combina com a triste notícia da morte de Pina Bausch.

A Pina foi uma coreógrafa alemã que repaginou a história da Dança Teatro, contribuindo para o desenvolvimento da dança contemporânea de uma forma geral e influindo também sobre a encenação teatral como um todo. Aliás, artistas de diversas categorias, do cinema, da música e, provavelmente, artistas plásticos e poetas também foram tocados por sua criatividade.

Meu primeiro contato com sua obra foi em 1990, quando ela trouxe Sobre a Montanha Ouviu-se um Grito para o Teatro Municipal dentro da programação do Carlton Dance. Lembro que morava em Porto Alegre e vim cespecialmente para assistir a apresentação daquele espetáculo.

Depois disso aluguei diversos vídeos seus na biblioteca do Goethe Institute. Naquela época não havia internet e muito menos Youtube, então para ver esse tipo de coisa tinha-se que procurar e muito.

Em julho de 1995 assisti no Festival de Teatro de Avignon, na região provençal da França, a dois espetáculos incríveis, Café Müller e Sagração de Primavera. Esse festival toma conta de toda cidade, onde ocorrem apresentações de todo tipo em diversos teatros e também na rua. Numa tarde daquelas, conheci Regina Advento, uma bailarina mineira ex-integrante do Grupo Corpo que passara a integrar o grupo de Pina após uma audição feita em 90 durante o Carlton Dance. Aliás, no elenco de Pina tinha bailarinos do munto inteiro, o que conferia ao grupo uma diversidade étnica que contribuia muito para o enriquecimento dos espetáculos.

Ainda em 95, no mês de agosto, eu estava fazendo uma temporada de shows na cidade de Pescara no leste da Itália e fui a Roma onde assisti a outro maravilhoso espetáculo da companhia, Nelken (Cravos) que apresentava três canções brasileiras na trilha sonora, entre elas As Pastorinhas de Noel Rosa e João de Barro. Foi uma noite memorável coroada num café onde tive o prazer de encontrar Pina Baush e presenteá-la com meu primeiro disco. Ela além de tudo era acessível e atenciosa.

Anos depois uma amiga minha foi até Wuppertal, no noroeste da Alemanha, onde ficava sediada companhia e lá participou de uma festa que contava ainda com as presenças de Caetano Veloso e Pedro Almodóvar. Mais ou menos por essa época, Almodóvar rodava Fale Com Ela e acabou utilizando um trecho de Café Müller na abertura do filme.

Pina tinha muito interesse pelas coisas do Brasil. Além de Regina Advento havia outros brasileiros na companhia, Dulce Pessoa, Geraldo Si Loureiro e Ruth Amarante. No seu espetáculo Valsas de 1982 ela contava com onze choros e valsas brasileiras de Zequinha de Abreu e Catulo da Paixão Cearense entre outros compositores. Em Mazurca Fogo, sobre Lisboa, Pina abria o espetáculo com a música Desentope Batucada de Marcos Suzano e ainda utilizava Samba de Orfeu de Luis Bonfá e Antonio Maria e Batuque nº 16 de Baden Powell.

Pode-se dizer que Pina Baush  faz parte do elenco dos grandes artistas que atuaram no Sec XX começo do XXI.. Aqui dei meu depoimento pessoal, falando dos contatos que tive com Pina e sua obra. Há muito ainda o que se dizer sobre ela, considerações estéticas e como ela ajudou a enriquecer minha subjetividade. mas o trabalho me chama e portanto deixo com vocês algumas fotos que falam mais do que palavras.

Pra quem tiver interesse pelo assunto, no Youtube há diversos vídeos, entre eles a abertura de Fale Com Ela. Há também alguns livros com fotos incríveis que podem ser encontrados nas Americanas e na FNAC. 

Links

vídeos
http://www.youtube.com/watch?v=iHzlEvtjaOw
http://www.youtube.com/watch?v=KXVuVQuMvgA

livros
 http://www.americanas.com.br/AcomProd/1472/882719
http://www.fnac.com.br/pesquisa/-1/fnac.html?=pina%20bausch


Bom proveito
Abraços

fotos:
Diversos espetáculos de Pina Bausch
Luminosidade do Rio hoje por volta de meio dia

 









 

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

O RIO, ELS QUATRE GATS, GADU E ZAFÓN







Comecei o dia e a semana tomando um suco de uva com  linhaça. A presença dos azeites essenciais Ômega 3, 6 e 9 e de outros nutrientes da linhaça associados aos bioflavonóides com forte poder antioxidante encontrados no suco de uva proporcionam bom funcionamento, força, saúde e longevidade ao organismo. É um verdadeiro tônico da juventude!!!!


O céu do Rio está azul, com algumas nuvens e um friozinho simpático e inspirador, bom para uma caminhada, para trabalhar com criação ou deliciar-se com um bom livro. Recomendo um que li, há uns meses atrás, quando estive em tourné pela Europa, A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón, que é, sobretudo, uma homenagem à literatura, aos que escrevem e os que tem gosto pela leitura.


Como dizem algumas resenhas, o enredo mistura gêneros como o romance de aventuras de Alexandre Dumas, a novela gótica de Edgar Allan Poe e os folhetins amorosos de Victor Hugo. Ambientado na Barcelona franquista da primeira metade do século XX, entre os últimos raios de luz do modernismo e as trevas do pós-guerra, o romance de Zafón é uma obra sedutora, comovente e impossível de largar. 


A vantagem de eu ter lido esse livro no meio dessa viagem é que tive, depois, em Barcelona, a oportunidade de visitar alguns dos lugares por onde se passa o romance, caminhar por aquelas ruas, sentir a forte presença de sua arquitetura, respirar seu ar úmido, sentir sua brisa e sol mediterrâneos. Entre tantos lugares o que eu mais desejava visitar estava o café Els Quatre Gats onde reuniam-se no final do sec XIX e começo do sec. XX alguns dos mais importantes artistas e intelectuais da Catalunha, entre eles, Pablo Picasso que lá realizou  sua primeira exposição.  Já conhecia Barcelona de outras viagens, mas dessa vez teve um sabor diferente, porque pude confrontar minha imaginação, as imagens sugeridas pelo livro, com a Barcelona dos dias de hoje. Os passeios foram ótimos e o jantar no Els Quatre Gats incrível!!!!


Segue o link desse interessante restaurante:

http://www.4gats.com


Agora falando de música, para quem mora ou está em São Paulo, aconselho a assistir ao show de Maria Gadú amanhã no Studio Sp!


Gadú é paulista de nascença mas está morando agora no Rio e acabou de gravar seu excelente primeiro disco que sairá nas próximas semanas pela Som Livre. Já assisti ao show dela umas 4 vezes, ela é mais incrível ainda no palco. Quem quiser uma prévia pode conferir no myspace:

http://www.myspace.com/mariagadu


Obrigado a todos (as) leitores (as) pela presença e comentários. Percebo que não só eu voltei como também algumas pessoas que costumavam frequentar esse blog no ano passado estão aos poucos retornando. E sejam bem vindos (as) quem está chegando agora.


Abraços e boa semana a todos


fotos 

Rio de janeiro hoje ao 1/2 dia

Maria Gadu 

Bairro Gótico de Barcelona cenário do livro A Sombra do Vento da Carlos Ruiz Zafón


Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

REMEMBER THE TIME


 Seria impossível não falar em Michael Jackson hoje, sempre gostei muito de suas músicas, sua dança e, principalmente seus clipes que mostravam tudo isso com grande sofisticação e arte. Entre os video clipes que mais gosto está Remender The Time de onde pincei a foto acima onde ele contracena com a top model Iman, então casada com David Bowie.

Mas não me alongarei muito falando do maior astro da música pop já que não sou expert no assunto e  que, hoje e nos próximos dias, todas as mídias estão e estarão repletas de informações, programas, fotos e textos a seu respeito.

Posso acrescentar uma info de boca a orelha que talvez ninguém fale por aí, mas soube que, na época da produção de Thriller, Quincy Jones, que produzia o álbum, teria solicitado uma música a Ivan Lins. Entretanto, havia oferecido um percentual pequeno ao Ivan (não tenho certeza, mas acho que era cerca de 10%),  que acabou não concordando com a proposta. No fim das contas, Thriller foi o disco mais vendido da história de indústria fonográfica e esses 10% teriam representadao alguns milhões de dólares ao Ivan.

 Para concluir deixarei apenas mais uma observação, na verdade, um jogo de palavras que, de certa forma, resume a contraposição existente entre os aspectos polêmicos de Michael e sua imensa musicalidade e contribuição artística.

Diz-se que seus dois maiores conflitos consistiam na negação de sua negritude e na sua recusa em tornar-se adulto. No entanto, fez black music da melhor qualidade, coisa de gente grande!


Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

DIARIO COMO UM JORNAL, CURTO COMO UMA NOTA




Vou tentar a proeza de atualizar mais seguido essa coluna. Escrever coisas curtas e diárias. 

Estou ainda envolvido com a trilha do filme que tem uma equipe espalhada por várias cidades, Nova Iorque, Rio, São Paulo, Porto Alegre e até Matinhos no Paraná. Passo alguns momentos do dia trocando e-mails e  conversando em chats com as pessoas da produção. Graças aos recursos tecnológicos, às vezes fotografo uma página do meu trabalho dentro do próprio computador pra pedir conselhos técnicos ao Tiago Becker, engenheiro de som que fará a mix da trilha. 

Estou adorando fazer o trabalho e ao mesmo tempo querendo terminá-lo pra voltar a dedicar-me ao meu disco.

Hoje pela manhã, recebi a Folha de São Paulo com a chamada e foto principal da capa mostrando funcionários da prefeitura de São Gabriel, minha cidade natal, portanto máscaras para evitar o contágio com a gripe suína. Há oito casos confirmados na cidade. Depois assisti aos principais noticiários da tv que mostraram imagens das ruas  onde passei minha infância. São Gabriel dificilmente está na mídia e bem que eu gostaria que essa sua súbita notoriedade se desse por um outro motivo que não esse.

Aqui no Rio não se fala muito nessa pandemia e espero que continuemos assim, quero dizer, que não tenhamos motivos para falar desse assunto e que possamos aproveitar esse inverno cheio de sol que 2009 está nos apresentando. Aliás esse ano todo tem sido bem luminoso por aqui.

Amanhã pretendo começar o trabalho um pouco mais tarde pra sair de bicicleta e aproveitar esse clima bom.

Há duas semanas houve a festa de aniversário do João Suplicy com sarau que contou com a presença de muitos músicos e apreciadores de música como o Senador Eduardo no começo da noite. 

Acima algumas fotos ilustram o acontecimento. (Isso parece texto de coluna social de jornal do interior, eheheh ).

Papo rápido como prometido. Espero voltar em seguida.

Abs

Nas fotos aparecem Mombaça no violão, Suplicys pai e filho, Ana Carol, Maria Paula, Gabriel Moura, Paulinho Loureiro, Lia Sabugosa, Cezinha, Mu Chebabi e outros convidados.