































por Antonio Villeroy
com colaborações



































tenho ao meu lado o cupido
caminho do meio
entre eu e alguém
as pessoas são múltiplas
o cupido um só
apesar dos metamorfoseados ares
e olhares inesperados
que de vez em quando faz
as pessoas mudam
e voltam depois da mudança
ou então ficam
mas permanecem sempre mudando
eu mudo modificando o meu modo de mudar
de acordo com as mudanças constantes que acontecem
no tempo
e o que permanece?
O ETERNO
a ligação entre os pontos
os fatos perdidos distantes
que ainda virão amanhã
e os que já foram
bem antes
tudo é um só
tudo converge em presente
num instante sem pensamento
só sendo
sem pertencer à ilusão
que se vê
quando se fala de espaço e de tempo
será que esse tempo passou
ou esteve apenas mudando?
e o espaço também passará
ou será transpassado pelos jogos do tempo?
tudo ilusão
exceto o cupido que caminha do lado
única coisa que vale de fato
ele com suas formas mutantes
só mostra de tudo o sagrado
como Eros
como Cristo
como sexo divino
como amor fraternal entre os homens
ele abarca geral
e assim me parece legítimo estar sempre com ele
realizando a evolução permanente
no aqui e no agora
único tempo real e possível
Eis aí algo pra se aproveitar
a oportunidade de mudança de ano
com uma simples resolução que presida todas as coisas
De 2010 pra SEMPRE
AMAR ACIMA DE TUDO




Entardecer nos pampasBebeto tem pensado muito sobre o papel que essa cultura criada em torno do paralelo 30 brasileiro pode e deve desempenhar para integrar-se no mosaico cultural do país. Ele explicará isso à sua maneira, pois sei que perde o sono bem mais do que eu com essas questões, mas é sabido que o Brasil absorve mais a cultura vinda de suas regiões mais quentes do que a provinda de nosso clima sub temperado.
Isso pode ser creditado, em parte, aos diferentes momentos em que o Brasil necessitou forjar uma identidade nacional e buscou em suas manifestações mais tropicais a sua forma de representação para o mundo externo e para si mesmo, como aconteceu no momento da Proclamação da República, onde deu-se uma ênfase ao chorinho e ao maxixe como formas musicais representativas do país, e, num outro momento, com o enfoque dado ao samba por Getulio Vargas durante o Estado Novo. E isso não fica restrito à musica, o mesmo aconteceu e segue acontecendo com a literatura, as artes plásticas, o cinema, etc

Guilherme Litran: Carga de Cavalaria, 1893 acervo Museu Júlio de Castilhos, P. Alegre
Sobra ainda um estigma relacionado a uma falsa idéia de que o gaúcho é separatista, sendo que o movimento conhecido como Guerra dos Farrapos, que começou reivindicatório contra os altos impostos cobrados pela coroa e a impossibilidade de se colocar na presidência da província um representante indicado pelos próprios gaúchos, desdobrou-se em uma manifestação republicana e abolicionista que visava, antes do que separar-se, integrar o Brasil a uma modernidade inspirada nos ideais da Revolução Francesa e também no modelo federativo da constituição americana. Nós gaúchos não somos separatistas, mas, de certa forma, como identidade cultural, sempre ficamos meio apartados da colcha de retalhos da produção brasileira.
Muitos já se debruçaram de forma constante e efetiva sobre essa questão, abordando-a sob pontos de vista diferentes, como Vitor Ramil que fez profundas reflexões a respeito do tema, criando a partir de suas perspectivas um conjunto de pensamentos que resultou num conceito estético que ele denominou de Estética do Frio, a partir do qual vem orientando seus trabalhos em música e literatura. Embora eu não me identifique com tudo o que ele apregoa, reconheço o esforço intelectual do Vitor e o salto qualitativo que sua obra alcançou a partir do momento em que seu trabalho tomou esse rumo, angariando um público cada dia maior no Brasil e em outros países da América do Sul, da Europa e no Japão, o que veio a colaborar para uma maior visibilidade da arte produzida no RS.
Mais sanguíneo e solar, Bebeto apresenta seu modo de interpretar essa mesma gema cultural, evidenciando seus aspectos mais africanos, acrescentando em sua perspectiva artística uma verve mais emocional e ritmcamente mais ativa. Portanto essa sua viagem ao Marrocos, à Catalunha e a Portugal apresenta-se como um reencontro seu com suas origens, com seus sentimentos mais profundos, o que fica evidente quando o vemos interpretar suas canções carregadas de imagens como se fossem caravanas plenas de mercadorias e paixões. Essa viagem e outras incursões de Bebeto pelo Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Argentina estão sendo registrados em Vídeo HD e farão parte de um longa metragem sobre sua carreira, sua produção cultural e seus pensamentos. A riqueza das imagens publicadas abaixo anunciam que vem por aí um trabalho muito importante sobre a cultura do Brasil produzida nessa região ainda pouco explorada pelos próprios brasileiros.
Com a palavra esse artista que tanto admiro.

Torre de Belém, Lisboa
MAIS UMA CANÇÃO por Bebeto Alves
Convidado pelo meu amigo Antonio a trazer até vocês , no espiríto do “A Câmera Que Filma Os Dias” o conhecimento de um trabalho que estamos realizando desde o ano passado; uma reflexão sobre matrizes étnicas culturais , origens , dna, genoma, da composição de um território criativo, de uma subjetividade inexplorada em sua totalidade e pouca entendida dentro de um conceito de identidade nacional no universo da nossa cultura popular, no mapa da nossa canção brasileira, em seus movimentos e caminhos, organizo cronologicamente , a fim de leitura , esse volume.

Peña Flamenca em Jerez (Es)
Tudo começa no ano passado, no Rio, quando procurado pela equipe da Estação Elétrica, produtora de cinema de Porto Alegre, para fazer um still fotográfico para uma entrevista com Andy Summers e Roberto Menescal, sobre “Orfeu Negro” : Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1963. Filme que faz parte da história da cinematografia brasileira , e que tinha como protagonista um jogador de futebol do Rio Grande do Sul, chamado Breno Melo. “Pescado” nas ruas da cidade do Rio pelo produtor françês, Breno se tornou uma celebridade e, tão rápido quanto se possa imaginar, caiu no esquecimento. O filme que o diretor Alexandre Derlam (Alex) está construindo versa sobre esse personagem e está em fase de captação.

Confraria do Funcho, Uruguaiana, RS
Sou um homem nascido na fronteira oeste do sul do Brasil.
Com o Uruguai e a Argentina testemunhando um mundo possivel de viver, além dos limites geográficos e culturais, desde pequeno me acostumei com a idéia de que esse mundo era transponível, tinha de ser. Além de qualquer convenção internacional de nacionalidades , além da aduana, da alfândega, do passaporte. O que me fez entender , também, necessáriamente, que a esse contato , eu tinha uma identidade: um brasileiro, aos olhos desses vizinhos.
Mas, a fronteira do Brasil, o oeste-sul do Brasil nos faz enxergar mais longe, queiramos ou não, ver outras possibilidades.

Milonga marroquina
Composta de etnias inusitadas- franceses, catalões, árabes, sirio-libaneses, palestinos, judeus, bascos, além dos portugueses, negros, índios, espanhóis, e mais recentemente (falo de fronteira!) , italianos e alemães -, ao nos despir de todas a influências possíveis, vamos encontrar um espírito melancólico, reflexivo ambientado no plano da lonjura e da imensidão.

Dan Ova e Veludo, Sambistas de Uruguaiana
Depois de termos filmado na minha cidade, Uruguaiana, entre a Confraria do Funcho, o corpo de veteranos dos fuzileiros navais, à beira do Rio Uruguai, em Paso de Los Libres na Argentina, no pampa, fizemos essa viagem de descoberta às avessas.
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Penha flamenca em Jerez
Encontramos a correspondência, tanto no norte africano quanto so sul da Espanha,e , claro, em Portugal, em Lisboa.

Eu sei que muito já foi pesquisado e vivenciado, mesmo dentro da nossa canção popular, isso já foi tocado aqui e acolá, mas nada minimiza a contribuição que esse filme pode trazer para a compreenção do caráter da canção brasileira ao sul do Brasil e por extensão do seu enriquecimento com esses novos anexos ao território da nossa música popular, propriedade de todos nós brasileiros.

David Lagos, cantor flamenco, e Jesus Pulpón, produtor do filme na Espanha
Ah, em tempo, o nome provisório do filme é: Mais Uma Canção.Nesses países, por onde, até aqui, estivemos, foram gravadas cenas com artistas locais. Buscando aproximações ,nos certificando de todas as diferenças, misturando tudo.
A estréia desse longa está marcada para o primeiro semetre do ano que vem.
Valeu Totonho. Deixo um super abraço a todos.
Bebeto
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Bebeto e o diretor Rene Goya em Tanger
Bebeto Alves é cantor e compositor com 23 discos e um DVD lançados. Autor de sucessos gravados por Ana Carolina, Tânia Alves , Kleiton e Kledir, Ednardo e Belchior, entre outros.
Tem três filhas, Luna, Kim e Mel Lisboa e três netos Ana Clara, Bia e Bezinho.


Nesse período aconteceram belos encontros musicais. Dia 23 de outubro, Ana Carolina deu uma festa em sua casa pra receber John Legend. Foi muito bom conhecê-lo, afinal temos uma parceria bombada nas rádios sem que nunca tivéssemos trocado uma palavra. Foi bom ouvir de sua própria voz que havia gostado da melodia que eu fiz para Entreolhares. Ele a achou emocionalmente intensa e muito boa de cantar e , por isso, a letra em inglês teria fluido tão bem. Ficamos de fazer mais músicas juntos. Além do bom papo, ele ainda deu canja tocando piano e cantando coisas do seu repertório com aquele feeling que só mesmo os grandes artistas do ritm & blues parecem ter.

No sábado, 24, fui ao show de Maria Bethânia, que me deixou muito emocionado, pois fala muito das coisas que estou vivendo agora. Fui no camarim dar-lhe um abraço apertado e agradecer os momentos sublimes.
Acho que foi o seu show mais simples e ao mesmo tempo mais emocionante a que eu já tinha assistido. Simples porque com menos instrumentação melódico/harmônica, deu mais ênfase às percussões o que deixou as músicas mais perto do chão.
Essa simplicidade associada ao excelente repertório e à total entrega de Bethânia ao interpretá-lo conduziram meu coracão ao encontro de emoções muito vivas, de tristeza, saudade, alegria, esperança.
Bethânia tem o dom de adornar cada palavra com um gesto, às vezes mínimo, tornando tudo mais visível. As melodias brilham com os fonemas, às vezes um pequeno movimento das mãos ou do rosto carregam consigo toda essência do que está sendo dito. Só Betha faz isso com essa precisão.
Assim recordei "Pra Rua me Levar", a primeira canção que, em parceria Ana Carolina, escrevi para Maria Bethânia. Começava com os versos:
Não vou viver como alguém que só espera um novo amor
Há outras coisas no caminho aonde vou ...
E na sequência:
Já sei olhar o rio por onde a vida passa
sem me precipitar e nem perder a hora
Enquanto escrevia, eu pensava na poesia de Fernando Pessoa, que sabia ser uma das preferências literárias de Bethânia, mas também referia-me ao rio de Hieráclito, em eterna mudança assim como o homem, o rio que é fluss em alemão, o fluxo da Cabala que equivale ao Tao na sabedoria chinesa, de onde venho tentando aprender a tomar o Caminho do Meio, sem precipitação e sem atraso.
Hoje, essa letra parece-me enriquecida de sentidos. E foi a própria existência que se encarregou de fazer isso. As vivências nunca se repetem e, se ficarmos atentos, nem mesmo a rotina existe, cada situação, por mais dejá vu que pareça, sempre carrega consigo novidades, basta que estejamos despertos e aptos a temperar esses momentos com novos sabores.

Continuo fazendo tudo o que posso de bicicleta. Nessa última semana, cem por cento honrada pelo sol, quase não saí de carro. Além do bem que faz à saúde, à economia e à atmosfera, as pedaladas são uma boa forma de concentração e reflexão. Nos dias de passeio, faço longos percursos. Às vezes, vou até o Horto, amarro a bike e pego uma trilha pelo mato até a cachoeira do Chuveiro. Se tenho tempo, vou mais longe e prefiro fazer isso sozinho, em silêncio. Na subida da Floresta começa um trajeto interno de descobrimento, os pensamentos se organizam, depois cedem lugar ao encanto da paisagem, a Mata Atlântica derramando seu explendor, com seus perfumes e sons particulares, seus pássaros revoando e balançando os galhos. Em meio ao verde, lembro de Tom Jobim, que era um apaixonado pela Mata e dedicou a ela sua obra.

No dia seguinte ao show da Bethânia, subi a estrada da Vista Chinesa, onde fiz uma pausa, passei pela Mesa do Imperador e segui até o Alto da Boa Vista e de lá para a Estrada das Paineiras onde tomei um banho de cano (aquela queda d'água que também é conduzida por um cano que proporciona um jato grosso que lava até a alma). Na volta, peguei o caminho pela Estrada das Canoas até São Conrado e depois retornei para a Zona Sul pela Niemeyer e ainda tive gás para tomar um côco em Ipanema, antes de subir pra casa de bem com a vida.

À noite, apesar dos quase 40 km percorridos com muito sobe e desce, estava inteiro e fui no aniversário do Milton Nascimento onde encontrei Bárbara Mendes, Mart' nalia, Leila Pinheiro, Caetano, Seu Jorge, Moska, Jorge Vercilo, Flavio Venturini, Vanessa da Mata e Atalita Morais, entre muitos outros queridos amigos. Depois de encontros e conversas, fizemos uma roda de violão que começou com samba, passou pelas baladas e fechou mais uma vez com samba pelas 4 da matina subindo as escadas no meio da chuva, na maior alegria. Milton estava muito feliz, radiante. Das festas em que fui na sua casa essa foi sem dúvida a que eu lhe senti mais feliz, havia uma grande integração e um espírito amoroso no ar.


Tenho ido a muitos lugares que não conhecia e voltado a frequentar alguns que haviam caído no meu esquecimento.Sexta passada, fui com minha amiga Lu Pessanha, a “Mulher Bomba”, conhecer The Maze, uma casa de um gringo na Tavares Bastos onde rola uma festa regada a jazz e cerveja morna (ainda bem que não bebo), onde circulavam muitas pessoas bonitas, como a antropóloga Dani Ramiris e Mariana Palis, a anestesista incrível. A vista da Baía da Guanabara com Pão de Açúcar em destaque era absurdamente linda, mas a casa foi hiperlotando e se tornando cada vez mais quente, o jazz não era lá essas coisas e por isso não permanecemos uma hora. A Tavares Bastos fica no Catete e, de tudo, o que mais gostei foi de ver uma favela apaziguada, sem presença de comandos, nem polícia e nem milícia. Parecia que estava em uma pacata cidade do interior, as ruelas limpas, os moradores tranquilos, as casas com boa estrutura. Isso deu-me alento, fez-me pensar que os problemas estruturais do Rio podem ter solução.

O BRASIL DEVE METER A CARA
Depois dos últimos acontecimentos globais, pós-crise, com uma diminuição da influência americana e o avanço de países emergentes, uma nova configuração geopolítica começa a se desenhar. Sinto que o mundo está a cada dia olhando o Brasil com muito mais atenção e parece que há uma grande expectativa sobre como contribuiremos para criar uma nova ordem mundial. Nosso território continua sendo o mesmo desde a anexação do Acre e equivale a 16 vezes a área da França. Sempre fomos esse gigante abaixo do Equador, só que sempre estivemos fora do centro das decisões mundiais, nunca fomos levados a sério e nos projetamos mais como um país moleque, bom de bola e com samba no pé. Agora chegou a hora de mostrar maturidade, de virarmos adultos assumindo uma posição de liderança compatível com nossas dimensões, nossas riquezas e nossas capacidades potenciais. Não há porque deixar essa oportunidade histórica nos escapar.

A Copa de 2014 , as Olimpíadas de 2016 e o Pré -Sal ampliaram um foco que já vinha sendo direcionado para o Brasil, desde que começamos a arrumar a casa já no primeiro período de FH, com o plano Real, mas principalmente a partir do segundo mandato do presidente Lula com tudo o que ambos governos tiveram de contraditório e por mais que nos tenham desagradado em alguns momentos com posturas, discursos e decisões equivocadas, entre elas a indiscriminada liquidação de estoques feita pelo presidente tucano.
E eis que ano que vem teremos eleições presidenciais e, no meu entender, nenhum dos candidatos que estão se apresentando parece ter todos os coringas necessários para encarar esse novo desafio. A continuidade do governo Lula com Dilma oferece um perigo totalitário de centralização e estatização de tudo, que parece querer atingir até mesmo os setores de criatividade artística com o controle dos direitos autorais pelo Estado, o que seria um completo absurdo. Além disso, acho que a Dilma não tem o carisma do Lula e não obteria o mesmo respaldo do atual presidente entre os líderes das grandes nações. Corremos o risco de ficarmos com o que de Lula é sua parcela mais negativa.

Assim como Caetano, simpatizo com Marina Silva. Mas simpatia não é tudo nessa hora. Acho que Marina carece de um conhecimento maior das coisas administrativas e além do que, me parece que lhe falta também um histórico que a qualifique como líder com capacidade para agregar quadros técnicos e politicos importantes em torno de seu governo.
O Serra é o Fernando Henrique sem charme e sem Sorbonne, com um tipo de proposta que parece já ter cumprido o seu papel naquele momento de transição que antecedeu a Lula. À essa falta de novidade sinto aliar-se, no campo externo, uma ambição anêmica, quase nula, que risca descambar para o entreguismo e a um estado de subserviência a que não podemos mais retroceder. Prefiro de longe a cafonice convicta do Lula com suas certezas históricas e sua fome quase infantil, de “quero o meu”, com ingenuidade suficiente para nunca sentir-se ridículo e capacidade de articulação impressionante a ponto de ter conquistado o status de estadista mais prestigiado no mundo atual, mesmo não sendo, pelas convenções instituídas, um homem (que se possa chamar de) letrado.

Mas, se houvesse uma possibilidade de terceiro mandato, o risco seria de dormirmos com Lula eleito e acordarmos com Chávez na presidência. Não o Chávez em pessoa, mas a personificação em Lula daquilo que o Chávez tem de pior, os aspectos ditatoriais que toda a permanência no poder tem o dom de engendrar, acrescidos de um fisiologismo sindical e um corporativismo faminto e discriminatório altamente perigoso.
Se eu fosse arriscar uma equação matemática somaria Marina + Gabeira + Ciro Gomes e poderíamos ter uma boa proposta mas ainda assim talvez faltasse carisma e tenacidade.
A conclusão que chego é a de que quem vai fazer o novo Brasil é a sociedade civil organizada. Será através de nossa atuação que as coisas poderão tomar o rumo que desejamos. A meu ver o Estado deverá ser não o sujeito absoluto das transformações, mas sim um agente agregador e regulador, pra que não se cometam excessos nem injustiças e para onde as decisões sejam levadas para serem executadas ou encaminhadas para execucão por setores produtivos da sociedade seguindo as diretrizes sugeridas de forma participativa e descentralizada por associações que se criem de forma espontânea a partir das necessidades de cada localidade, dando mais autonomia às Federacões, para que se encontrem soluções específicas para os problemas locais, sem nunca perder de vista a totalibade do país e a integração que deve haver de parte a parte. Para mim, portanto, o melhor candidato será aquele que estiver com disposição para interagir abertamente com a sociedade, ouvindo suas propostas, incentivando projetos autônomos consequentes e investindo em novas tecnologias visando o reaproveitamento de matérias primas e a geração de empregos através de uma cadeia de micro, médias e grandes empresas de reciclagem, que a meu ver pode ser uma grande fonte de riqueza ao mesmo tempo em que atua na economia de bens e nos processos despoluição e preservação da natureza. Para isso também terá de haver rigor quanto aos níveis de emissão de dejetos, obrigando as grandes empresas a mudarem seus modelos de produção tendo em vista uma maior responsabilidade social e ecológica.

Muitos se perguntarão, como esperar que isso aconteça no Brasil, com a polícia matando e roubando, com o poder paralelo nos morros e periferias, com os estudantes tapados, reprimidos e agressivos agindo de forma violenta sob a proteção de uma Universidade a comportar-se como uma instituição medieval, como aconteceu no episódio envolvendo alunos da Uniban recentemente.
Mas o fato da Uniban ter voltado atrás na sua decisão devido aos protestos da sociedade reforça essa minha fé no poder de organização das comunidades, dos bairros, das tribos, das minorias e maiorias, dos ecologistas, dos empresários com visão de futuro organizados em prol de um crescimento limpo e responsável. Portanto, temos sim que pensar e muito em quem depositar nosso voto, mas com a convicção de que teremos que fazer nossa parte colaborando ativamente para essa transformação.

Semana passada estive envolvido em duas situacões em que a polícia do Rio agiu de forma abusiva. Um dia, no centro da cidade, um rapaz que fazia entregas vinha com um carrinho cheio de marcadorias quando teve uma de suas caixas furtadas por dois jovens que sairam correndo pela rua sete de setembro. Ao serem perseguidos, o que portava a caixa jogou-a no chão e conseguiu escapar, o outro, apesar da habilidade nos dribles de corpo, acabou tomando alguns socos e pontapés e perdeu velocidade sendo paralisado por um guarda que o algemou e o jogou no chão.
Nesse momento, uma parte da multidão que se aglomerava na volta começou com gritos de mata e lincha. Contestei um homem que fazia coro a esses absurdos do meu lado e ele respondeu que “bandido bom era bandido morto”. Eu lhe disse que seu pensamento sim era um pensamento de bandido, porque matar ou incitar à morte é crime muito maior do que furtar uma caixa de mercadorias.
- Que é isso rapaz? Porque vc estava fazendo isso? o cara já está imobilizado!
- Ele disse que era pra o sujeito ficar melhor sentado
- Respondi que ele estava abusando da sua autoridade e que estava fazendo aquilo pra agradar a sua platéia.

FFoi quando chegou outro guarda com uma rapaz negro pelo braço que gritava: "sou trabalhador, sou trabalhador, tá aqui minha carteira, eu trabalho no taxi balsa," e mostrava a carteira de trabalho.
- O guarda falou: vc estava com eles, vc estava correndo também.
- E o cidadão respondeu que estava correndo porque estava atrasado para o trabalho, mostrou seu crachá, e , quase chorando, pediu pelo amor de deus que o guarda não cometesse com ele aquela injustiça
- O guarda tentou lhe dar um passa pé mas ele resistiu.
- Quando foi dar o segundo, me atravessei e disse pro guarda: pára com isso! vc não vê que pode estar mesmo cometendo uma injustiça? O cara tá te mostrando a carteira de trabalho dele, verifique antes de sair batendo. Um terceiro guarda que parecia comandar a operação deu-me razão e afastou o outro dizendo que ia se ocupar do sujeito.
- Vendo que estava tudo certo liberou o injustiçado, que ficou de longe gritando
- - "eu não sou ladrão, eu sou honesto. Só porque eu tava correndo. No Brasil preto correndo é ladrão. Vc é racista. Eu sou trabalhador e se fosse ladrão não ia roubar essa mixaria, ia logo roubar um banco."
Então fui até ele e disse-lhe para se acalmar, para sair dali, que voltasse ao seu trabalho, que ele tinha razão, era indigno o que ele havia sofrido, tanto que eu o tinha ajudado, mas que se insistisse naquela atitude poderia dar motivos para os policiais mudarem de idéia e até enquadrá-lo em desacato a autoridade, ainda mais com todo aquele público diante do qual não poderiam ser desmoralizados. Ele se foi, espumando.
Mirei o rapaz que tentara roubar e lhe disse, apontando o entregador:
" Cara, olha bem pra ele, vocês se parecem, tem a mesma idade, devem até gostar das mesmas coisas, são fisicamente parecidos e se vestem da mesma forma, poderiam fazer parte da mesma turma, talvez venham a se encontrar num baile à noite. A diferença é que ele estava trabalhando e você roubando. E decidiu roubar um cara que poderia até ser seu amigo. E agora você está aí sentado no chão, algemado, com todas essas pessoas ao seu redor lhe fazendo ameaças. Olha só em que merda você se meteu."
Ele tentou dizer que estava perseguindo o verdadeiro ladrão, mas não colou porque o entregador o vira segurando o carrinho enquanto o outro pegava a caixa.
O mais impressionante era o ladrão ter pego aquela caixa sem saber o que havia dentro. Um roubo que era também uma espécie de loteria com poucas possibilidades de conter um grande prêmio. É esse Brasil que precisamos equacionar.

Outro dia estava com umas amigas no lado de for a do Azul Marinho, o restaurante do Hotel Arpoador Inn, que espalha suas mesas no passeio sobre a praia. Entre as mesas e as paredes do hotel passa uma via pequena para um carro que serve de acesso aos moradores dos prédios vizinhos e à policia para suas rondas até a pedra.
Eis que um carro de polícia passa correndo a uns 60 por hora saindo daquela viela onde a velocidade não deve ser ultrapassada dos 20km/h. Dei um grito mas não adiantou.
Um deles respondeu que estavam atendendo a uma ocorrência e que se chegassem tarde era deles que iam cobrar.
E eu respondi que se atropelassem alguém andando ali naquela velocidade também era deles que iriam cobrar e que havia todas aquelas testemunhas ali do restaurante.
Os caras não falaram mais nada e seguiram bem mais devagar.
Na volta vieram quase parando, eu estava de costas e quando chegaram perto de minha mesa dimiruiram ainda mais e ficaram olhando, as meninas reagiram com o olhar e, quando eu me virei, eles seguiram
Esse tipo de atitude quando você está convicto, coberto de razão e amparado na lei acaba intimidando até mesmo esses caras truculentos. Afinal, eles não tinham como saber se eu era um policial superior de folga, ou à paisana. A policia do Rio já sabe que a sociedade está de olho nela também.
O incidente envolvendo Itaipu e Furnas ontem à noite mostra o quanto toda centralização é perigosa. Houve já um grande investimento nessas hidrelétricas e não há como abrir mão de seus benefícios agora, mas temos que ter um plano B que inclua soluções locais, menores, com energia gerada por novas fontes, que podem até vir do reaproveitamento de matéria orgânica e que numa emergência possam suprir as necessidades de uma cidade por um razoável período de tempo.
Isso corrobora com minha idéia de que empresários com uma visão avançada podem dirigir seus negócios para esse tipo empreendimento. Já citei em comentário ao post Jogos, Futuro, Amor, Cidadania os casos da Novagerar e da Biogás de Nova Gramacho aqui no Estado do Rio como exemplos bem sucedidos desse novo modelo de pensamento empresarial com responsabilidade ecológica e social.
Mas tudo isso ainda está engatinhando, a podridão é muito grande, mas eu prefiro colaborar para as mudancas a pensar que o mundo como conhecemos terminará em 21.12 de 2012. Aliás, sexta estréia o filme, que pretendo assistir e comentar depois. O Calendário Maia e as previsões feitas para daqui a 3 anos e pouco são um tema interessante a ser debatido. Quem tiver interesse que vá preparando seus argumentos.

Ontem à noite, com o apagão, o Rio tornou-se uma paisagem diferente, com focos de luminosidade emergindo da neblina entre o vazio dos prédios e os faróis dos carros dançando como se não houvesse chão. A visão não era bela, mas sublime, na acepção de Kant. Mais comovente do que encantadora, causando espanto, respeito, quase medo, mas com uma força de atrair o olhar que me fez permanecer ali por um bom pedaço de tempo.
O dia amanheceu com tudo normalizado, o céu tomado pelos albatrozes e urubus, os bentevis atacando corajosamente um gaviãozinho na antena de um prédio vizinho e o casal de sanhaços namorando entre as roseiras da minha varanda. Depois ouvi um piado forte e insistente vindo de um quarto dos fundos. Chegando lá, me deparei com um lindo passarinho de plumagem muito colorida que depois identifiquei como um Tangará de Cabeça Azul, que ficou a me olhar e piando sem receio ainda um bom tempo, para depois tomar o rumo dos Dois Irmãos. O milagre da vida não pára!
Sexta viajo pra São Paulo para a estréia do novo show de Ana Carolina, assinado por Bia Lessa, que vem com uma concepção diferente e cheio de novidades legais. Hoje assisto ao último ensaio corrido. E, até o final do mês também, deve chegar às lojas o novo DVD da Ana, uma superprodução dirigida por Monique Gardenberg, com fotografia de Lauro Escorel e cenário de Gringo Cardia.
Em função desse lançamento e de outros fatores importantes, meu disco só sairá em março. Em breve darei mais notícias.
Boa continuação de semana. Beijones.



Sobre o outro convidado, pra quem não está lembrado, Arthur Maia é baixista, compositor e produtor, que atua há muitos anos com Gilberto Gil e já integrou as bandas de Djavan, Milton Nascimento, Ivan Lins e Luis Melodia, entre outros. Recentemente produziu o disco Madrugada de Mart’nália. Em todo lugar que vou fora do Brasil os músicos sempre me perguntam pelo Arthur. É que além de excelente músico, o cara é muito comunicativo e simpático. O Guinga disse que ele é primo do Romário. E é verdade que tem certa semelhança física e sua facilidade pra tocar lembra muito a do baixinho a empurrar a bola pro fundo do gol. Segue o link:
http://www.arthurmaia.com.br

Depois do show vamos sair pro abraço, com fotos e autógrafos nos discos.
O projeto segue até o final de novembro com a seguinte programação:
03/11 – Moraes Moreira & Armandinho
10/11 – Rita Ribeiro & Carlos Malta
17/11 – Chico César & Gisbranco
24/11 – Margareth Menezes & Saul Barbosa
Informações: 2262-2581 / 2215-5172 (de 2ª a 6ª, de 10 às 18
Lançamento do CD em São Paulo
Imperdível!

Criada pelo compositor, arranjador e saxofonista Letieres Leite, a Orkestra (com K como no original grego) é um grupo de sopros e percussão, no qual as composições e os arranjos são concebidos a partir das claves e desenhos rítmicos do universo percussivo baiano.
Com as composições inspiradas na cultura ritmica do centro de Salvador, nos toques de orixás da música sacra afro-baiana, nas grandes agremiações percussivas, como o Ilê Aiyê, Olodum e nos Sambas do Recôncavo, a nova amálgama é repleta de significações, sensibilidade rítmica e uma influência jazzística, onde as improvisações também marcam presença, com uma formação próxima das big bands e concebida em um estilo atual.
A Orkestra tem em seu nome a representatividade dos três atabaques do candomblé: o Rum, o Rumpi e o Lé, acrescido das letras ZZ da palavra Jazz.
Gravado no Teatro Castro Alves (ao vivo, a portas fechadas) o álbum foi mixado nos EUA por Joe Ferla, vencedor do Grammy, produtor e engenheiro de som de grandes artistas como John Meyer, Natalie Cole, John Scolfied, Brecker Brothers, dentre outros. O CD irá sair pelos selos Biscoito Fino e Caco Discos.
Conheci Letieres por volta de 1983, em Porto Alegre, onde ele passou uma temporada de dois ou três anos. Sua presença na cidade foi marcante, montou grupos com diferentes formações, acompanhou e produziu cantores, escreveu arranjos e ensinou música pra muita gente. Sempre viajando pela música saiu de Porto Alegre e foi morar em Zurich e Viena, voltando depois pra sua Bahia natal. No final dos anos 90, o reeencontrei dirigindo o show de Ivete Sangalo, que me chamou pra subir no trio e cantar com ela Felicidade do Lupicínio Rodrigues. Paralelo à sua atuação com Ivete, Letieres foi desenvolvendo esse precioso trabalho que mistura os ritmos de candomblé com orquestra de sopros, um dos mais originais e estimulantes trabalhos de música instrumental que tenho visto nos últimos tempos!
Show de lançamento em São Paulo
Sábado,31 de Outubro 21:00 hs. e Domingo 1 de Novembro, 18:00 hs.
Sesc Vila Mariana- R. Pelotas, 141 - Vila Mariana - São Paulo - SP Tel: (11) 5080-3000
BROTHERS OF BRAZIL

Algo que parecia improvável aconteceu. Dois irmãos com propostas musicais completamente diferentes resolveram fazer uma dupla e deu certo! Tratam-se dos filhos de Eduardo Suplicy, o senador sério e, ao mesmo tempo, boa praça que, a pedido de Sabrina Sato, desfilou pelo Congresso portando uma sunga de superhomem sobre as calças.
Supla, o mais velho, surgiu no cenário do rock dos anos 80 com pose punk e semelhanças com Billy Idol. Nunca acompanhei de perto sua carreira mas sempre admirei sua perseverança no personagem que criou (e se transformou) não só para fazer música, mas também para definir como seu estilo de vida. João Suplicy também teve influência roqueira mais explicitamente de rocabilly, mas direcionou sua carreira para a MPB com ênfase em samba, samba rock e outras bossas. Não é a toa que fez para a gravadora Albatroz de Roberto Menescal um disco e depois um show chamado Elvis em Bossa, com direção de Luiz Carlos Mielle, onde congregava com maestria dois gêneros aparentemente distintos.
Há pouco mais de um ano, João e Supla juntaram as forças e, sob o nome de Brothers of Brazil, montaram um show conjunto que vem divertindo platéias do Brasil, EUA e Europa. Eu assisti no ano passado no Posto 8 e curti muito, porque além de musicalmente interessante há os aspectos performáticos de ambos, cada um no seu estilo. Eles brigam mais que os irmãos do Oasis, discutem no palco e nunca se sabe se é a sério ou se apenas faz parte da performance artística. Acho que nem eles sabem, deve ser as duas coisas. Uma de suas músicas Samba around the clock (parafraseando a clássica Rock around de Clock de Bill Haley) ganhou um clipe, cujo link segue logo abaixo. Pra se divertir:
http://www.youtube.com/watch?v=3c9nAHVg-HQ&feature=player_profilepage
MAIS UMA VEZ GADU
(na corrente do Nemo)

O show de Maria Gadu está cada vez melhor. É muito bom ver os progressos na carreira de um artista e a Gadu venho acompanhando bem de pertinho e ajudando a divulgar aqui no blog, no facebook e no boca a boca. Sexta fui no Teatro Rival e, no bate papo do camarim, sua mãe, falando comigo e nossa amiga Juliana, disse que havíamos ajudado a parir essa história, porque estávamos desde o comecinho nos shows do Cinemathèque. Na verdade, a primeira vez que vi a Gadu foi num sarau organizado por Dudu Falcão na casa da estilista Cristina Cordeiro, ela sentadinha em posição de yogue (sua marca registrada), ligeiramente tímida, cantando suas canções de forma muito carismática. Depois vi umas 4 vezes no Cinemathèque, 2 no Posto 8, uma no Zozo e agora num Rival completamente lotado. A banda está com uma sonoridade incrível, o som cheio sem ser pesado, com uma timbragem muito especial que faz ressaltar ainda mais a voz da Maria. Em breve deve rolar Circo Voador. Lembrando que a Gadu está com uma música na novela das 6 e outra na das 8. Não lembro de outro artista que tenha aparecido cantando, num mesmo período, em duas novelas da Globo. Isso só reforça o que disse minha amiga Luciana Pessanha: A Maria Gadu pegou a corrente do Nemo.
CHICO BOSCO ORIENTANDO

Meu amigo Francisco Bosco, escritor, filósofo e compositor está numa viagem com sua mulher, a também escritora e roteirista Antonia Pelegrino pelo Oriente. Já estiveram na China e no Tibet. Quando ele voltar vou pedir para que dê uma canja aqui no blog contando um pouco do seu périplo e publicando algumas fotos. Estou certo de que com a sua imaginação, sua capacidade de concatenar idéias somadas à experiência que está vivendo, poderá elaborar textos muito nutritivos e interessantes pra dividir conosco.
UM TAL DOUTOR COLOMBO
Outra pessoa que em breve deve escrever aqui é meu grande amigo Dr. Colombo Cruz, clínico geral com ênfase em medicina preventiva e ortomolecular. Ele atende em Niterói, mas no começo do ano vai abrir uma sala no Rio, provavelmente em Botafogo.
Conheci o Colombo quando eu estava começando minha carreira musical e via seus cartazes espalhados por Porto Alegre anunciando o lançamento de seu primeiro disco. Depois de alguns meses aconteceu o tão esperado show e foi muito bom. Colombo tinha belas músicas, cantava bem e se mostrava solto no palco, arrebatando o público e a crítica. Apesar de desconhecido em Porto Alegre, seu marketing foi tão bom que o teatro da Assembléia, com capacidade para mil pessoas, estava lotado.
Na época ele morava em Santa Maria, uma cidade universitária, situada nos pampas, onde estava concluindo o curso de Medicina enquanto desenvolvia também a carreira de músico. Depois de sua formatura, veio para o Rio, onde se estabeleceu com a família e foi trabalhar na ABBR (Associação Brasileira Beneficiente de Reablilitação), um hospital de reabilitação localizado na Av Jardim Botânico, onde, entre outros pacientes, cuidou da saúde de João do Valle, o célebre compositor maranhense autor de Carcará que fez com Zé Keti e Nara Leão (depois sustituída por Maria Bethânia, que estreava brilhantemente) o show Opinião nos anos 60.
No final dos anos 80, João do Valle se reestabelecia de um acidente vascular cerebral e ficou sob os cuidados do dr. Colombo durante 1 ano e meio. Quando se recuperou e teve alta, Chico Buarque organizou um show no Teatro João Caetano para arrecadar fundos para o amigo. Muitos artistas participaram, entre eles o próprio Chico, Beth Carvalho, Fagner, Zé Ramalho, Gonzaguinha, Elba Ramalho, e Alcione. Havia um apresentador que anunciava cada atração da noite. No final do show ele fez um suspense dizendo que chamaria a pessoa que havia ajudado João do Valle a se recuperar e anunciou Colombo Cruz que entrou a rigor (todo de branco) e foi recebido de pé pela platéia que o aplaudia. Todos ficaram surpresos que além de tudo o doutor era compositor e cantava muito bem.
Anos depois, Colombo foi morar em Niterói onde tem uma grande clientela. Recentemente fui ao seu consultório, pois precisava perder 7Kg em 40 dias pra participar do DVD de Ana Carolina. Seguindo os conselhos do doutor, mudei de alimentação, parei de comer carne vermelha, derivados de leite, doces, pão branco, e eliminei definitivamente as bebidas alcóolicas. Associando a essa dieta uma rotina de exercícios diários, cheguei ao dia da gravação com 8 kg a menos e gozando de muita saúde. Na sequência, ainda perdi mais dois, contabilizando, em 2 meses, 10 kilos perdidos e uma massa muscular muito mais definida. A boa oxigenação e uma alimentação balanceada livre toxinas e produtos artificiais melhoram muito nossa disposição, o corpo, a mente e as emoções ficam bem mais saudáveis. Isso é o que almeja a Medicina preventiva praticada pelo dr. Colombo.
Quando perguntado sobre em que área trabalha, o doutor diz que é médico. Se insistem questionando sua especialidade, ele responde que é medicina, pois a seu ver o organismo é um sistema único, onde todos órgãos, glândulas e outras partes e funções tem uma relação de completa interdependência. Parece óbvio, mas muitas vezes o especialista não leva em consideração esse fato. Essa visão abrangente o credencia como um médico holístico, em concordância com outras ciências que evoluem nesse sentido, agregando os valores acadêmicos ocidentais com a sabedoria milenar do Oriente.
UMA PEDRINHA FICOU PELO CAMINHO

Com a disciplina que adotei nessa minha nova fase de vida, fui expurgando excessos e toxinas e percebi que também me livrava de coisas ligadas ao meu passado, não só do ponto vista físico mas também certos pensamentos e emoções que já não tinham mais serventia. O processo de limpeza foi e está sendo tão intenso que nos últimos 2 dias eliminei até mesmo duas pedrinhas que carregava há anos no rim direito, obtidas em minhas frequentes e gastronomicamente intensas estadas na França, onde o hábito de comer queijo após as refeições é uma tradição irrecusável e a água é tão calcária a ponto de deixar leves camadas de cálcio na louça secada no escorredor.
A última pedrinha deu seu alarme as 5 da manhã desse domingo. Levantei, tomei um Buscopan e procurei me distrair, lendo, tocando piano e escrevendo no computador. Não adiantou. Tomei água, outro Buscopan e um banho. Mas a dor não cedeu, então, pelas 8 horas, calmamente fiz uma malinha, peguei o carro e rumei pra Clínica São Vicente. No caminho a dor aumentou, como costuma aumentar quando a pedra sai do rim e entra no uretér. Mas não perdi a calma e, apesar do engarrafamento que ralentava a Marquês de São Vicente em virtude das provas da PUC, cheguei ao meu destino pelas 8:30.
Depois de examinado e medicado, expeli a danada e me senti novinho em folha. Dormi um pouco pra recuperar a noite interrompida e sai pra pedalar. Fiz uns 20 km, malhei nos aparelhos da Lagoa e complementei com alguns exercícios de Yoga.
À noite, com a cabeça oxigenada, escrevi as partituras pro ensaio de amanhã e ainda arrumei um tempinho pra blogar.
Foi bom, valeu! As pedras ficaram no caminho, eu passei, passarinho.*
E o casal de sanhaços que sumira da minha varanda voltou de mansinho. Bom sinal!
Boa semana a todos.
Abraçones e beijones.
P.S. Sobre Twitter: não sou de fato um twitteiro, não costumo entrar muito lá. Não dá tempo de fazer mais isso, por essa razão não sigo quase ninguém e só escrevo e respondo de vez em quando. Agradeço a compreensão.
* Parafraseando Mario Quintana que escreveu:
Todos esses que aí estão atravancando meu caminho, eles passarão... Eu passarinho!