domingo, 11 de julho de 2010

AS CANÇÕES DE JOSÉ 2: ODISSÉIA





















Muita gente me pergunta sobre a letra de Odisséia. Ela se distingue das demais canções do disco pelo vocabulário e quantidade de imagens que possui. Aproxima-se um pouco de Ouro, que também apresenta um tom épico e é bastante imagética, mas Odisséia vai um pouco além na densidade do conteúdo simbólico.

Foi escrita em uma época em que estava imerso em uma busca pelo autoconhecimento e a espitirualidade. Havia mudado minha alimentação para uma dieta vegetariana, estudava na Eubiose e concentrava minhas leituras em matérias que me auxiliassem naquele caminho.
Entre essas leituras, encontravam-se livros sobre a psicologia analítica, de Carl Gustav Jung e seus discípulos.






O que me aproximou da obra de Jung  foi o fato de que,  ao mesmo tempo em que trocava informações com gênios da física, como Albert Einstein e Wolfgang Pauli,  buscava lastro para sua idéias na alquimia, na mitologia, em estudos sobre os povos primitivos da Ásia, África e Índios da América do Norte, tendo encontrado nos simbolismos destas culturas elementos fundamentais para compreensão do desenvolvimento humano.





Através desses estudos, Jung percebeu que diferentes povos possuíam os mesmos conteúdos inconscientes, formados pelos mesmos arquétipos, modelos inatos que servem de matriz para o desenvolvimento da psique, como a figura da morte, da Grande-Mãe, do Herói, do Velho Sábio, da sombra, da ânima e do ânimus, entre outros.

Jung denominou essa camada mais profunda da psique, pré-existente ao consciente e carregada de conteúdos herdados dos ancestrais,  de inconsciente coletivo.

Segundo Nise da Silveira, uma de suas discípulas brasileiras, criadora do Museu do Inconsciente, “pode-se representar a psique como um vasto oceano (inconsciente) no qual emerge uma pequena ilha (consciente).”






Quando escrevi Odisséia, acabara de ler o livro homônimo de Homero, onde se encontram muitos desses arquétipos de que fala Jung.

Ulisses, o herói, que retorna de Guerra de Tróia, enfrenta o mar com seus monstros e intempéries, para regressar a Ítaca, a ilha onde sua esposa, Penélope, lhe espera. Ícone de virtude, rainha, esposa, mãe modelar, Penélope, durante o dia, tece um véu e o desmacha à noite, pois quando terminá-lo deverá desposar um dos inúmeros pretendentes a tomar o lugar de seu marido, dado como morto. Na esperança de que Ulisses permanece vivo, usa o ardil do véu para aguardar sua chegada.

Por sua vez, Ulisses, em sua odisséia depara-se com inúmeros perigos e tentações, enfrenta a fúria de Poseidon, Deus dos mares, e é arremessado à ilha de Ogígia, onde fica sete anos prisioneiro  de  Calipso, até Pallas Atena intervir junto a Zeus,  que obriga a Deusa Ninfa a libertá-lo. 






No decurso de suas perambulações, vai parar em Eana,   ilha onde habita Circe, uma Deusa Feiticeira que transforma a sua tripulação em porcos, uma forma de simbolizar os instintos primitivos do homem.  

Auxiliado por Hermes, o mensageiro, Ulisses consegue subjugar a feiticeira, que devolve aos marinheiros suas formas e trata a todos com tal hospitalidade que Ulisses chega a esquecer por uns dias os seus objetivos. Depois é chamado à razão por seus companheiros e, auxiliado por Circe, segue viagem. 


No caminho, pede para ser amarrado ao mastro do navio para não ceder ao canto das Sereias, e ainda enfrenta o Ciclope, os monstros marinhos Cila Caríbdes todos símbolos de ritos de passagem, portões pelos quais se deve passar quando se busca o caminho da evolução.








Não lembro exatamente a ordem cronológica dos obstáculos porque passa o herói e não pretendo me estender nesse resumo do clássico grego, pois que senão perderemos de vista o objetivo principal dessa publicação. Aconselho, entretanto, a leitura do livro de Homero, que é muito rico e certamente vai inspirar muitas coisas boas.

Voltando à minha canção, sua primeira estrofe já aponta para essa interpretação de mar como inconsciente e toda aventura que se desenrola durante a música não é mais do que uma viagem iniciática, onde os monstros representam os guardiães dos portões do conhecimento.

A lança e a espada surgem como símbolos fálicos, as armas do guerreiro e representam seus aspectos externos, sua masculinidade, bravura e  racionalidade.  Penélope, Circe, Pallas Atena e as sereias representam o feminino, em seus diferentes aspectos, subjacente no inconsciente do homem e que, pela psicologia Junguiana,  recebe o nome de ânima.





Atena, a Deusa e Penélope, a esposa, representam o lado claro do feminino e Circe e as sereias o lado obscuro, perigoso. Diz-se que a individuação se processa quando os aspectos do consciente e do inconsciente se harmonizam e se complementam. No homem essa complementação se dá com uma integração, ao consciente, de sua ânima, seu aspecto feminino. A mulher se completa ao integrar ao consciente o ânimus, arquétipo masculino presente no inconsciente.







Mas a canção não pretende dirigir o ouvinte e sim seduzí-lo a embarcar em uma viagem, onde cada um poderá fazer seu roteiro e inferir sua próprias interpretacões.
Na frase “Uma Deusa me quer bem”, por exemplo, posso estar me referindo a Pallas Atena ou a uma mulher de carne e osso que simbolize essa energia da Deusa. Quando digo “periga existir meu nada querer, oh! meu talismã” refiro-me a uma idéia budista de acalmar os desejos e de “sem querer ser, merecer ser”. Ao mesmo tempo, o talismã pode simbolizar um objeto ou uma pessoa que dá sorte e que só alcançamos quando deixamos de lado as ansiedades e as inquietudes decorrentes da escravidão dos quereres.

Nisso há uma contradição e, se não houvesse não seria interessante. Essa contradição reside no fato de as libidos (não no sentido freudiano, puramente sexual), mas no sentido Junguiano de pulsão vital, serem a mola para a realização das coisas. Como então querer não querendo? Nisso há uma diferença muito sutil, da qual  conheço o sabor, mas que não sei expressar com palavras.

Descobrir o relicário, é tirar o véu (a cobertura) e encontrar a chama acesa é ver, dentro de si mesmo, a centelha divina.

Agora é com vocês. Nos encontramos nos comentários.




ODISSÉIA  por  Antonio Villeroy



A lenda se desdobra em mar aberto,
gigantesco, frio e sem fomento

Uma luz esquiva tinge o céu deserto, tudo é  desafio nesse momento


Começo de uma rota sinuosa, sob o hálito viscoso de neblina

Tomo a espada sobre a palma sem abalo,
e avanço pela espuma sulfurina



Periga existir, periga existir
                  
Meu nada querer, oh! meu talismã…
 


São muito perigos, são duros castigos ao corpo nu, na amplidão

Mas vago sem trégua,
são sete mil léguas onde os tesouros estão


Quantos ardis sobre a negra nau,
o embate é solitário e é forte a correnteza

Vou dar muito além, um erro é fatal,
 mas nada me detém
Uma Deusa me
 quer bem



Periga existir…



Em domínios estrangeiros vou por terra,
uma lua negra paira sobre o vento

Sei das provas que o destino me reserva, deixo firme as provisões do armamento


Pressinto a batalha monstruosa
 contra a fúria das medusas e gigantes

Levo ao punho minha lança poderosa
 e avanço pela escarpa cintilante



Periga existir…



São muitos algozes, são monstros ferozes os guardiães
 do templo onde vou

Mas luto sem prece, o
céu estremece, quem sabe um
Deus me guiou


Venço num triz o duelo final, escubro o relicário e encontro a chama acesa

Já posso voltar, o mar é cruel, 
mas um vento veloz vem
Uma Deusa 
me quer bem!



Periga existir…





27 comentários:

Hannaly Oliveira disse...

Essa música é um conto de fadas. Engraçado como eu tenho na cabeça uma imagem tua com uma espada lutando contra monstros em alto mar. (hahaha)

Como já te disse, em minhas pesquisas às cegas sobre a letra, antes mesmo de descobrir suas inspirações eu andei bem perto desses assuntos. Cheguei nas primeiras navegações, onde o mar era desconhecido e existia o medo de monstros marinhos. Depois cheguei à história de Calipso, mas peguei um desvio no assunto e fui parar na lenda Davy Jones que, supostamente, era apaixonado por Calipso e por ela fora traído, tornando-se amargurado, despejando seu ódio sobre os marinheiros. A lenda, entre muitas coisas, diz tb que ele arracou seu coração, que ainda pulsa, e guardou dentro de um baú. Enfim, fui parar no filme Piratas do Caribe que tem várias histórias subentendidas por trás do enredo principal. No final das contas fui ler o resumo de Odisséia, de Homero e com umas explicações suas finalmente consegui sacar a essencia da letra.

É, sem dúvidas, a minha preferida do cd e a que mais me emociona nos shows. Tem uma magia pra mim que nem sei explicar.

Beijones.

Hannaly Oliveira disse...

Ops, inaugurei os comentários desse post por direito. Hahaha :-P

giovanna erbert disse...

Incrível como tu consegue fazer com que a minha mente monte a imagem daquilo que a música descreve mesmo antes de ler esse seu texto mais explicativo. São poucos os compositores que conseguem me passar a essencia real da letra.

Muito obrigada, Antonio, por nos presentear com músicas bonitas, gostosas de ouvir e, além disso tudo, inteligentes.

Beijos, Dji.

Neila Bastos disse...

Muito interessante sua abordagem psicológica. Conseguiu resumir muitas das teorias de Jung, que são fantásticas. [Apesar de eu ser Freudiana]. Você também menciona nesta letra, sobre a sombra, o self e a persona, o que a torna ainda mais interessante. Mas gostaria de comentar mais detalhadamente sobre um questionamento seu (‘Como então querer não querendo?’), pois achei fantástico, já que esta pergunta não nos leva a uma resposta objetiva, nos remetendo a todas as outras incertezas de antes e de sempre. Querer não querendo pode estar relacionado com a questão do incosciente e da censura, sendo esta representada pela sociedade, moral e cultura. Então, lembro-me da questão da escolha e do desejo. Este 'desejo', ligado ao sujeito, sendo este um ser desejante pois somos faltosos [e é a falta que nos move na busca de realizações e minimização de angústias], nos devolve a pergunta, como um ciclo onde a dúvida pode nos favorecer, pois nos faz pensar e questionar. Por isso acho muito inteligente suas colocações, já que uma dúvida, gera inúmeras reflexões. Enfim, parabéns pelo trabalho e por buscar embasamento para suas composições, sempre plausíveis e apaixonantes.

Neila Bastos

Mayara disse...

Pelo que pude compreender fala sobre o desafio, o enfrentar diversas dificuldades, retratadas como monstros e seres, para chegar ao seu objetivo, o que lembra a "El Dorado", a mesma felicidade do encontrar o ouro é relatada como o final da Odisseia.
Não sei se captei sua ideia, mas foi o que captei!
Te adoroooo, Bjos!

Pia Fraus disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pia Fraus disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pia Fraus disse...

Ouvir Odisséia me fez lembrar de alguns textos que tenho sobre a “Paidéia”; a primeira educação ocidental.

O cerne da educação (Paidéia), para os gregos, é práxis (digamos, prática) daqueles que trabalham no fazer dizente (importante dizer que são quatro os verbos para “o fazer”, na idéia grega).

É no dizer através os aspectos da harmonia, do som, da palavra, da melodia que se educa... Alguém só é educado através do fazer artístico.

E o princípio da aventura artística de educar, entre os gregos, está nas vozes de tantos que estão fundidos no nome Homero. O conjunto de textos de Homero fora fabricado por vários autores...

O aedo era o artista que cantava para educar; seu canto dizia sobre os heróis e suas histórias míticas: religião e educação eram intrínsecas. Não havia dicotomia entre o cotidiano dos humanos e dos deuses. Aliás, os deuses gregos estão próximos da humanidade em caráter de ser.

Tem algo que acho fabuloso na educação grega. Ao pensar no dizer educativo dos aspectos desconhecidos para conhecê-los, o grego não partia da subjetividade para o conhecimento da coisa. Ou seja, ninguém aprende sobre algo subjetivamente. Isso porque para os gregos não existia o indivíduo; existia o “cada-um” no todo; o homem é uma parte de um todo, para os gregos. Não é aquela parte isolada consciente, que é no pensamento cartesiano (penso logo existo).

Enfim, o inconsciente coletivo (o todo de tudo), a grosso modo, era exercido na educação do grego (parte do todo). Mesmo sem saber que usada do processo dos protótipos inconscientes, o grego respeitava tudo o que existia no indivisível que é a physis (e pro grego physis é tudo o que está na natureza).

Adoro a canção e acredito diz: “perigo é existir”, porque a existência procede da essência do ser; é preciso permitir que a essência seja! E permitir é um desafio.

Ah... voltando ao assunto sobre o indivíduo... ouvi, certa vez, que o sujeito surge na humanidade “quando narciso se enxerga em seu reflexo”. Adorei essa versão narcísica daquilo que é ser pessoa. Estou pensando em postar sobre esse Narciso...

Esqueci de colocar uma ótima indicação sobre Homero e os gregos, por isso tive de apagar o post e criar outro. tem um livro chamado A vida cotidiana dos gregos; a leitura é fácil mas, esgotada está a edição; é livro antigo. eu tirei cópia na biblioteca do mosteiro de São Bento, a maior do Brasil; se alguém quiser cópia é só entrar em contato e eu escaneio!

Até... a próxima filmagem da câmera....

Pia Fraus disse...

olha a chatona aqui de novo... pra dizer que o Livro que ofereci pode ser copiado e não é pirataria. é livro muito antigo e de edição esgotada.

té mais

Cami Rodrigues disse...

... Talvez as lutas dos dias atuais sejam muito mais duras e os obstáculos maiores ainda do que buracos no mar ou sereias pelo caminho.

Mas vale a pena seguir lutando, com a espada e o escudo que hoje são abstratos mas também são bons mecanismos de defesa.

Vale a pena! No final, a "Deusa" estará lá. Ou melhor, no final não, no início!

Besitos e bom dia! :-)


"No peito hirsuto do Peleide a angústia assoma. O coração partido em dois hesita. Ou arranca do flanco a espada pontiaguda a afastando os demais abate o Atreide no ato, ou reprime o furor, doma a revolta no ânimo. Tudo isso lhe rodava no íntimo e, entretanto, ia sacando da bainha o gládio enorme.

Então, do céu, Atena desce. Enviou-a Hera, dos braços brancos, que ama os dois, por ambos vela. Por trás segura-lhe os cabelos louros, só visível para ele; ninguém mais a vê. Espanta-se o Peleide; gira o corpo, e logo dá com Palas Atena: os olhos terríveis brilham!

Dirigindo-se à deusa diz palavras rápidas:

-Filha de Zeus tonante, portador de escudo, por que vens? Assistir à audácia de Agamêmnon? Pois declaro o que penso e hei de ver cumprido: seu belicoso orgulho vai causar-lhe a morte.

Brilho de olhos azuis, responde a deusa Atena:

-Descendo do alto céu, acalma-te a ira (se acaso me obedeces), vim a mando de Hera, deusa dos braços brancos, que por ambos vela. Vamos, pára essa briga! Deixa em paz a espada! Insulta-o com palavras, sim, o quanto queiras. Agora vou dizer-te o que se cumprirá: um dia hão de pagar-te o triplo dos dons esplêndidos como preço da afronta. Acalma-te e obedece”.

Recomeça a falar Aquiles, pés-veloses:

-Deusa, em respeito às duas, tenho de ceder, ainda que raive o coração. Melhor assim. “Os deuses dão escuta a quem se curva aos deuses”.

Disse, e deixou pesar no punho prateado a mão; o formidável gládio embainhou. Palas, vendo-se obedecida, retornou ao céu, ao Olimpo de Zeus, porta-escudo, entre os deuses.

[A Ilíada]

Fabiana. disse...

Desde criança, quando as percepções do mundo externo se tornaram linhas fortes e evidentes, pude sentir o "periga existir" que até hoje caminha em minha vida.
Desde o "mar aberto" (em minha visão no sentido do mundo lá fora) começa minha "rota sinuosa" (visão do dia-a-dia), a partir do momento que acordo em "hálito viscoso de neblina" (ou seja quando já ouço tudo, mas meus olhos ainda pesam a levantarem-se) - a "espada sobre a palma sem abalo" (me levanto da cama logo em posição de guarda e ataque, principalmente nos dias que as discussões se alfinetam e uma possível agressão física é iminente).

Quantas vezes, lá estava eu, me lembro, já com o lençol na mão bem esticado com uma força 10X mais a fim de imobilizar meu irmão em suas crises psíquicas, sem machucá-lo, logicamente. Era meu meio de "embate solitário e é forte a correnteza".

Muito mais que sete mil léguas, no restante do dia "vago sem trégua", "dou muito além" (deve ser por isso que volta e meia sou apanhada com elogios e destaques lá na loja, rs).

"Sei das provas que o destino me reserva, deixo firme as provisões do armamento", soa como frase típica do signo de Capricórnio, no caso o meu e de minha mãe - o que eu amo, por ser firme à terra.

Ao final de cada dia, ao encontrar "a chama acesa" (como exemplo é voltar do trabalho e acender a luz do quarto), já durante a madrugada "um vento veloz vem" (seja da natureza ou de meus sonhos, me acordando no meio da noite) - no final de tudo só uma certeza me faz voltar a dormir bem: "Uma deusa me quer bem" na minha vida passa a imagem da minha família, dos meus brinquedos, dos meus estudos, meu trabalho, e quem sabe um dia, de meu grande amor.


Ps.: enamorada pelos quadros que postou!!

Antonio Villeroy disse...

Hanna, natural que você inaugure, você é mãe do blog nesse novo formato.

Interessante que você tenha ido buscar sentido no filme Piratas do Caribe.

Diz-se que muitos piratas nos século XIII e subsequentes eram Templários, que perseguidos por Felipe, o Belo Rei de França e pelo papa Clemente V fugiram com sua frota para a Holanda e como não tinham porto seguro na Europa Católica ficavam pelos mares, muitas vezes assaltando os navios das Coroas.

O emblema do crânio com dois fêmurs foi adotado posteriormente pela maçonaria, que adveio diretamente dos templários.

Eu percebo naquele filme que você citou, muitas referências simbólicas que se encaixam na letra da canção, incluindo aí a história de Calipso.

Que bom que depois você foi atreas do poema de Homero. Digo poema pois foi escrito em forma de versos. Mas as traduç˜øes que conheço para o português são todas em prosa.
Aconselho a sua leitura, é muito rico e aguça a imaginação.

Antonio Villeroy disse...

Giovana, obrigado por suas palavras. Que bom que você tem essa percepção e esse entendimento daquilo que escrevo. Essa é uma grande recompensa pra quem trabalha com arte.

Neila, quando escrevi o texto falava também da persona e do self, mas acabei cortando pois a terminologia poderia tornar a leitura maçante para o leigo.
Nas minhas digressões já estava até comentando os motivos da cisão entre Freud e Jung, mas tive que controlar meus impulsos. hehe

Mas gostei que você tenha mencionado isso em seu comentário, pois aqui nesse forum temos a oportunidade de desenvolver um pouco mais o tema proposto.

Já conversamos um pouco sobre isso no twitter e várias pessoas seguiram e elogiaram o nosso diálogo. Obrigado pela contribuição.

Sobre os quereres, são eles que nos movem. Uma pessoa sem vontade se torna apática.

Ao mesmo tempo, viver no modo paixão, com quereres que nunca se satisfazem, é uma forma de escravidão.

Escapar do jugo dos desejos é uma espécie de libertação.

Mai uma vez obrigado, Neila, é ótimo falar com você.

Fabi, adorei o que você escreveu, me emocionou.
A letra também pode ter mesmo essa leitura, associada ao cotidiano.
Acho que foi isso que a Mayara quis dizer.

Mas, Fabi, você colocou isso de modo muito bonito.

Pra mim tudo que acontece no exterior tem um correspondente no interior.

O físico Wolfgang Pauli declarou-se convencido de que, ao lado das pesquisas sobre a realidade externa é necessário investigar a origem interior de nossos conceitos científicos.

Físicos como Eddington, J. Jeans e outros grandes aceitam que a matéria esteja impregnada de um psiquismo elementar. O físico Alfred Hermann diz que a natureza do elétron parece ambígua, meio matéria, meio psique.

Parece que me distanciei do tema, mas fiz essas colocações pra dizer que a toda ação cotidiana há uma outra paralela ocorrendo em nosso interior, na nossa psique. Uma é reflexo da outra.

Se ficarmos atentos a isso, estaremos mais próximos de nós mesmos, trilharemos o caminho do auto conhecimento e descobriremos maravilhas.

Obrigado meninas, pela contribuição de cada uma.
Boa semana
Namastê

Marta Vaz disse...

A forma poética encanta-me,
Mesmo sentindo a agonia em certos momentos.
O desejo de percorre-la é maior do que eu.
Não há como não se apossar da sua "odisséia cantada"!
Aquilo que parece adormecido,
Se esquiva, luta, mas tem fome e quer mais.
Sinto-me gestando um ser mitológico;
A cada palavra sorvida com a melodia.
O inconsciente se aflora,
E agora...
Ignora e rí das realidades tão consistentes!
Admito que já esteve aqui antes de ser.
Concordo com Jung, sou fã incondicional dele.
E hoje de você também.
Não é óbvio o que cria...
Faz-me pensar quantos se esforçam ou não, para sentir a ideia.
Não é fácil estar nessa Odisséia!
Mas é fantástico o que ela pode criar!
Lembrar dos nossos ancestrais,
De uma forma tão biológica!
Gosto disso, elucida tantas coisas em mim.
Mas interessante do que a história é o como a transforma,
Criando uma liberdade tão peculiar,
Para cada um percorrer a própria "Odisséia".
Sucesso, sempre!
Marta Vaz

Antonio Villeroy disse...

Suzana, interessante o que vc disse sobre a educação grega.

A palavra holístico, vem do grego hollos = todo.

Sobre a sentença: "a existência procede da essência do ser; é preciso permitir que a essência seja! E permitir é um desafio."

durante muito tempo, influenciado pela filosofia existencialista, eu pensava justamente o contrário,

que a existência precedia a essência, que o que somos é fruto de nossa experiência.

Hoje, vejo que trazemos algo que é anterior até ao nosso nascimento. Certas tendências essenciais serão sim reforçadas e outras combatidas durante a existência.

Há que se permitir sim, mas há também que se focar uma meta e selecionar o que temos de melhor para poder alcançá-la.

Gostei da imagem de Narciso como representação da descoberta do indivíduo e me interessei pelo livro sobre a vida cotidiana dos gregos. Se vc puder eu gostaria de obtê-lo.

Obrigado pelo papo.
Beijos

Carolina Carrah disse...

Ao escutar essa música sempre passa na minha cabeça um filminho, onde cada verso representa uma cena.
Acho legal na primeira estrofe quando vc fala "tudo é desafio nesse momento". Por que o começo de tudo nos parece muito difícil e meio que impossível (pelo menos pra mim, rs) e logo em seguida já de espada em punho, segue em frente, pois por mais que pareça difícil não vale a pena desistir tão cedo. Muitos perigos, duros castigos, mas mesmo assim vaga sem descanso, pois o caminho é longo até encontrar todas as recompensas.
"O embate é solitário e é forte a correnteza. Vou dar muito além, um erro é fatal" Essa é a parte que eu mais gosto na música, pois acho que isso resume a vida. Muitas vezes você tem que enfrentar algo sozinho mas não é pq você está sozinho que as coisas vão ser mais fáceis, muito pelo contrário, elas serão bem mais complicadas e pelo fato de tá sozinho qualquer besteira pode colocar tudo a perder.
Quando você descreve a batalha eu consigo até ver todos os monstros e gigantes, é engraçado. Esse final da música sempre me arranca um sorriso com o ar de vitória e tal.
Bom, acho que viajei demais, mas isso é um pouco do que a música me passa. Beijos!

Natasha Pizette disse...

A Odisséia um dos dois principais poemas épicos da Grécia antiga, é uma jornada épica cheia de desaventuras,de mistérios e consequências, lém de monstros e grandes amores e as vezes muito assustadora assim como a vida, uma viagem de solidão,a companhia, o desespero,a amizade,o amor, as desventuras... A partilha de um estado de espírito. E, sem dúvida, a vida é grande uma Odisséia ,a qual não conhecemos o final.

Débora de Marco Machado disse...

Sempre existe aquele que nos prende e aquele que nos liberta, fazendo, questão de nos devolver a nós mesmos. Nunca acreditei em feiticeiras pq ninguém tem o poder de nos transformar sem que a gente queira.
Recentemente li uma frase que me chamou atenção( Não sei de quem é o autor), " Todos querem viver no topo da montanha, mas, toda a felicidade e crescimento (evolução)ocorre, quando você está escalando. E é lindo perceber esta verdade quando vc fala do rito de passagem que Ulisses teve de enfrentar para chegar ao seus objetivos.
"Como então querer não querendo?"
Essa nem os Eldorados espalhados por aí são capazes de compreender..

Ricardo Luigi disse...

Gosto muito da imagem da espuma sulfurina. Seriam as vagas de Poseidon? Lembra as cores opacas dos filmes da década de 50, 60... e, ainda, lembra ouro...

Abraços,

Luigi

Débora Regina disse...

Sempre ouvi essa música formando um filme Épico na minha cabeça."A lenda se desdobra em mar aberto(...)Tudo é desafio nesse momento.Começo de uma rota sinuosa, sob hálito viscoso de neblina". Nessa parte vem a minha mente a imagem de um homem em um grande navio, que sai navegando pelo desconhecido, em busca de algo que almeja, por isso o desafio.
"Vou dar muito além, um erro é fatal, mas nada me detém: uma deuza me quer bem" Durante a travessia, são impostos vários obstáculos, a fúria de medusas e gigantes, os monstros ferozes. Mas o personagem principal da canção não se deixa abater peles dificuldades, pois precisa voltar para os braços da deuza, que ao meu ver é sua esposa que ficou em casa em quanto ele sai, desbravando os mares.


Odisséia sempre me pareceu complexa, e talvez seja essa complexidade que tanto me atrai, além das figuras que vejo quando a ouço, ela me faz viajar. Essa é minha canção favorita do disco.

Meu primeiro comentário, na Câmera que filma os dias, espero voltar outras vezes.

Beijos

Pia Fraus disse...

adorei o comentario da Cami Rodrigues! o relato dessa grande luta... esse pólemos dos gregos.... xiiii pensei em shiva!

suspiro!

muito bom!

Tainara Cláudia disse...

Oi, Totonho!!
Oi, galera do blog!!

Tudo bem com vcs?

Me lembro de ter lido a letra dessa música no site e achei interessante a letra, parecia mesmo que tinha sido feita voltada para o lado mais oculto da Odisséia.

A mitologia foi feita pra aproximar e fazer o homem entender melhor o macrocosmo, o universo, de uma forma mais próxima do mental concreto.

Como o Totonho disse, Odisséia ilustra a luta em busca da luz, os obstáculos que se tem que ultrapassar para chegar onde se quer. Eu vejo que na vida, tudo é assim, no começo a gente tem um pouco de dificuldade pra aprender ou compreender algo, mais com o tempo o nosso subconsciente vai se adaptando ao o que o consciente faz.

É a eterna busca pelo "algo, alguma coisa, alguém" que possa nos levar ao brilho real da nossa mente fundido com o do nosso coração. Caminho árduo, o menos usado, talvez mais gratificante no fim. Pedra de meditação que reluz, quando se vence as nidanas (tendências negativas) e surge as skandas (tendências positivas), aquelas certas tendências que o Tots disse que trazemos, com o passar das muitas reencarnações.
Ou seja, razão e emoção, feminino e masculino andam lado a lado e um não vive sem o outro, mais conseguir caminar entre os dois é o que resumi toda a Odisséia.

Eu li a Psicologia Analítica do Jung. Percebi que Jung, vai muito além do que Freud, apesar de ter sido ele quem descobriu a psicanálise, mais Jung, investiga no mental abstrato as respostas. Jung está para o triângulo e Freud está para o quadrado.

Certa vez vi em um documentário que não existe divisão entre o corpo astral e o corpo físico, um interprenetra no outro, ou seja, tudo oq pensamos pode sim refletir no físico. Como tbm é comprovado que toda doença começa no corpo emocional das pessoas para depois chegarem ao físico.

Uma coisa me chamou a atenção, a Luana comentou de que a Odissía originalmente era cantada, isso só vem confirmar um termo usado na Eubiose que se chama Odisonai ou Odisséia do Som... mais isso é um assunto que eu não posso falar muito sobre...

Tainara Cláudia disse...

Bem vou comentar uma frase que achei interessante.

"A mente que se abre a uma nova ideia, jamais volta ao seu tamanho original." (Albert Eintein)

Adorei essa frase, e concordo com ela. Desde que comecei a me dedicar a estudar coisas mais profundas e a tentar me entender e me modificar, percebi que a minha mente se expandiu e não voltou ao mesmo tamanho que era. A cada dia, a cada coisa que eu aprendo e que faz diferença, que modifica algo na minha vida, só aumenta a minha inteligência e a minha nova percepção do mundo. E isso faz toda a diferença na minha vida.

Como então querer não querendo?

Eu entendo essa pergunta como se esse querer não fosse influenciado por outras pessoas. E mais que isso um querer onde vc sabe que querer é simples e não é diferente de poder, mais vc quer sem aquela necessidade vital. Eu entendo como um querer calmo, paciente, aquele querer que vc sabe que uma hora vai chegar. Como disseram o importante é a subida da montanha e não o topo. É aquele querer consciente de que vc não está querendo nada do que vc não possa ter, de que não esteja fora da Lei.

Bem vou pensar um pouco mais sobre isso tudo. Acho que já falei demais...

Beijos a todos.

Pia Fraus disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pia Fraus disse...

voltando para ler os novos comentários - estão muito bons!!! - e para re-parafrasear a canção "perigo é existir"!!!


bjos

Bárbara disse...

Oi meu amor...Poxa eu queria tanto ter ido dar um abraço em vc no dia do seu Niver. Mas sinta-se abraçado por mim,e também minha enérgia mentalizando a paz, amor, felicidade e sucesso em sua vida.

Desculpa o atraso, mas ser parabenizado é sempre bom não é? rs...Estou trabalhando por plantão de 12x36 e nossa, estou ainda tentando me abituar. Enfim, não tive tempo antes..

Bjão, fica com Deus...te adoroooo...
FELICIDADE É TD QUE NECESSITAMOS, PQ É A UNIÃO DE TODAS AS COISAS BOAS DA VIDA.

*L’essentiel est invisible pour les yeux* disse...

Sou fã incondicional. Agora as palavras nem chegam, mas acho que já falaram da beleza, da profundidade e da sinestesia causada pela música. Adoro seu trabalho e suas parcerias com Ana Carolina. Ela vai estar em Recife agora em Agosto. E vc, quando aparece nessa terrinha linda? Compositores e pessoas como você são raras de encontrar. Sigo no twitter, e tentei no Facebook, mas não consegui. Suce$$o sempre, querido! Beijos :)