
Pois é, quase 30 vezes o sol nasceu no mar sem que eu conseguisse concentração para atualizar o blog. Andei fazendo uma reestruturação geral na vida profissional e particular. Passei a delegar mais funções a pessoas diferentes e isso exigiu de mim uma organização interna para que a distribuição se efetuasse de forma correta. Em breve meu site também deverá entrar no ar com algumas mudancas que refletem essa reengenharia. No âmbito pessoal, tenho sido mais seletivo com as amizades. Tenho conhecido muita gente e por isso passei a evitar pessoas que infelizmente me procuram apenas quando tem algum tipo de interesse. E assim segue a vida em seu ritmo ondulatório, uns vão e gente nova aparece no pedaço.

Nesse período aconteceram belos encontros musicais. Dia 23 de outubro, Ana Carolina deu uma festa em sua casa pra receber John Legend. Foi muito bom conhecê-lo, afinal temos uma parceria bombada nas rádios sem que nunca tivéssemos trocado uma palavra. Foi bom ouvir de sua própria voz que havia gostado da melodia que eu fiz para Entreolhares. Ele a achou emocionalmente intensa e muito boa de cantar e , por isso, a letra em inglês teria fluido tão bem. Ficamos de fazer mais músicas juntos. Além do bom papo, ele ainda deu canja tocando piano e cantando coisas do seu repertório com aquele feeling que só mesmo os grandes artistas do ritm & blues parecem ter.

No sábado, 24, fui ao show de Maria Bethânia, que me deixou muito emocionado, pois fala muito das coisas que estou vivendo agora. Fui no camarim dar-lhe um abraço apertado e agradecer os momentos sublimes.
Acho que foi o seu show mais simples e ao mesmo tempo mais emocionante a que eu já tinha assistido. Simples porque com menos instrumentação melódico/harmônica, deu mais ênfase às percussões o que deixou as músicas mais perto do chão.
Essa simplicidade associada ao excelente repertório e à total entrega de Bethânia ao interpretá-lo conduziram meu coracão ao encontro de emoções muito vivas, de tristeza, saudade, alegria, esperança.
Bethânia tem o dom de adornar cada palavra com um gesto, às vezes mínimo, tornando tudo mais visível. As melodias brilham com os fonemas, às vezes um pequeno movimento das mãos ou do rosto carregam consigo toda essência do que está sendo dito. Só Betha faz isso com essa precisão.
Assim recordei "Pra Rua me Levar", a primeira canção que, em parceria Ana Carolina, escrevi para Maria Bethânia. Começava com os versos:
Não vou viver como alguém que só espera um novo amor
Há outras coisas no caminho aonde vou ...
E na sequência:
Já sei olhar o rio por onde a vida passa
sem me precipitar e nem perder a hora
Enquanto escrevia, eu pensava na poesia de Fernando Pessoa, que sabia ser uma das preferências literárias de Bethânia, mas também referia-me ao rio de Hieráclito, em eterna mudança assim como o homem, o rio que é fluss em alemão, o fluxo da Cabala que equivale ao Tao na sabedoria chinesa, de onde venho tentando aprender a tomar o Caminho do Meio, sem precipitação e sem atraso.
Hoje, essa letra parece-me enriquecida de sentidos. E foi a própria existência que se encarregou de fazer isso. As vivências nunca se repetem e, se ficarmos atentos, nem mesmo a rotina existe, cada situação, por mais dejá vu que pareça, sempre carrega consigo novidades, basta que estejamos despertos e aptos a temperar esses momentos com novos sabores.

Continuo fazendo tudo o que posso de bicicleta. Nessa última semana, cem por cento honrada pelo sol, quase não saí de carro. Além do bem que faz à saúde, à economia e à atmosfera, as pedaladas são uma boa forma de concentração e reflexão. Nos dias de passeio, faço longos percursos. Às vezes, vou até o Horto, amarro a bike e pego uma trilha pelo mato até a cachoeira do Chuveiro. Se tenho tempo, vou mais longe e prefiro fazer isso sozinho, em silêncio. Na subida da Floresta começa um trajeto interno de descobrimento, os pensamentos se organizam, depois cedem lugar ao encanto da paisagem, a Mata Atlântica derramando seu explendor, com seus perfumes e sons particulares, seus pássaros revoando e balançando os galhos. Em meio ao verde, lembro de Tom Jobim, que era um apaixonado pela Mata e dedicou a ela sua obra.

No dia seguinte ao show da Bethânia, subi a estrada da Vista Chinesa, onde fiz uma pausa, passei pela Mesa do Imperador e segui até o Alto da Boa Vista e de lá para a Estrada das Paineiras onde tomei um banho de cano (aquela queda d'água que também é conduzida por um cano que proporciona um jato grosso que lava até a alma). Na volta, peguei o caminho pela Estrada das Canoas até São Conrado e depois retornei para a Zona Sul pela Niemeyer e ainda tive gás para tomar um côco em Ipanema, antes de subir pra casa de bem com a vida.

À noite, apesar dos quase 40 km percorridos com muito sobe e desce, estava inteiro e fui no aniversário do Milton Nascimento onde encontrei Bárbara Mendes, Mart' nalia, Leila Pinheiro, Caetano, Seu Jorge, Moska, Jorge Vercilo, Flavio Venturini, Vanessa da Mata e Atalita Morais, entre muitos outros queridos amigos. Depois de encontros e conversas, fizemos uma roda de violão que começou com samba, passou pelas baladas e fechou mais uma vez com samba pelas 4 da matina subindo as escadas no meio da chuva, na maior alegria. Milton estava muito feliz, radiante. Das festas em que fui na sua casa essa foi sem dúvida a que eu lhe senti mais feliz, havia uma grande integração e um espírito amoroso no ar.


Tenho ido a muitos lugares que não conhecia e voltado a frequentar alguns que haviam caído no meu esquecimento.Sexta passada, fui com minha amiga Lu Pessanha, a “Mulher Bomba”, conhecer The Maze, uma casa de um gringo na Tavares Bastos onde rola uma festa regada a jazz e cerveja morna (ainda bem que não bebo), onde circulavam muitas pessoas bonitas, como a antropóloga Dani Ramiris e Mariana Palis, a anestesista incrível. A vista da Baía da Guanabara com Pão de Açúcar em destaque era absurdamente linda, mas a casa foi hiperlotando e se tornando cada vez mais quente, o jazz não era lá essas coisas e por isso não permanecemos uma hora. A Tavares Bastos fica no Catete e, de tudo, o que mais gostei foi de ver uma favela apaziguada, sem presença de comandos, nem polícia e nem milícia. Parecia que estava em uma pacata cidade do interior, as ruelas limpas, os moradores tranquilos, as casas com boa estrutura. Isso deu-me alento, fez-me pensar que os problemas estruturais do Rio podem ter solução.

O BRASIL DEVE METER A CARA
Depois dos últimos acontecimentos globais, pós-crise, com uma diminuição da influência americana e o avanço de países emergentes, uma nova configuração geopolítica começa a se desenhar. Sinto que o mundo está a cada dia olhando o Brasil com muito mais atenção e parece que há uma grande expectativa sobre como contribuiremos para criar uma nova ordem mundial. Nosso território continua sendo o mesmo desde a anexação do Acre e equivale a 16 vezes a área da França. Sempre fomos esse gigante abaixo do Equador, só que sempre estivemos fora do centro das decisões mundiais, nunca fomos levados a sério e nos projetamos mais como um país moleque, bom de bola e com samba no pé. Agora chegou a hora de mostrar maturidade, de virarmos adultos assumindo uma posição de liderança compatível com nossas dimensões, nossas riquezas e nossas capacidades potenciais. Não há porque deixar essa oportunidade histórica nos escapar.

A Copa de 2014 , as Olimpíadas de 2016 e o Pré -Sal ampliaram um foco que já vinha sendo direcionado para o Brasil, desde que começamos a arrumar a casa já no primeiro período de FH, com o plano Real, mas principalmente a partir do segundo mandato do presidente Lula com tudo o que ambos governos tiveram de contraditório e por mais que nos tenham desagradado em alguns momentos com posturas, discursos e decisões equivocadas, entre elas a indiscriminada liquidação de estoques feita pelo presidente tucano.
E eis que ano que vem teremos eleições presidenciais e, no meu entender, nenhum dos candidatos que estão se apresentando parece ter todos os coringas necessários para encarar esse novo desafio. A continuidade do governo Lula com Dilma oferece um perigo totalitário de centralização e estatização de tudo, que parece querer atingir até mesmo os setores de criatividade artística com o controle dos direitos autorais pelo Estado, o que seria um completo absurdo. Além disso, acho que a Dilma não tem o carisma do Lula e não obteria o mesmo respaldo do atual presidente entre os líderes das grandes nações. Corremos o risco de ficarmos com o que de Lula é sua parcela mais negativa.

Assim como Caetano, simpatizo com Marina Silva. Mas simpatia não é tudo nessa hora. Acho que Marina carece de um conhecimento maior das coisas administrativas e além do que, me parece que lhe falta também um histórico que a qualifique como líder com capacidade para agregar quadros técnicos e politicos importantes em torno de seu governo.
O Serra é o Fernando Henrique sem charme e sem Sorbonne, com um tipo de proposta que parece já ter cumprido o seu papel naquele momento de transição que antecedeu a Lula. À essa falta de novidade sinto aliar-se, no campo externo, uma ambição anêmica, quase nula, que risca descambar para o entreguismo e a um estado de subserviência a que não podemos mais retroceder. Prefiro de longe a cafonice convicta do Lula com suas certezas históricas e sua fome quase infantil, de “quero o meu”, com ingenuidade suficiente para nunca sentir-se ridículo e capacidade de articulação impressionante a ponto de ter conquistado o status de estadista mais prestigiado no mundo atual, mesmo não sendo, pelas convenções instituídas, um homem (que se possa chamar de) letrado.

Mas, se houvesse uma possibilidade de terceiro mandato, o risco seria de dormirmos com Lula eleito e acordarmos com Chávez na presidência. Não o Chávez em pessoa, mas a personificação em Lula daquilo que o Chávez tem de pior, os aspectos ditatoriais que toda a permanência no poder tem o dom de engendrar, acrescidos de um fisiologismo sindical e um corporativismo faminto e discriminatório altamente perigoso.
Se eu fosse arriscar uma equação matemática somaria Marina + Gabeira + Ciro Gomes e poderíamos ter uma boa proposta mas ainda assim talvez faltasse carisma e tenacidade.
A conclusão que chego é a de que quem vai fazer o novo Brasil é a sociedade civil organizada. Será através de nossa atuação que as coisas poderão tomar o rumo que desejamos. A meu ver o Estado deverá ser não o sujeito absoluto das transformações, mas sim um agente agregador e regulador, pra que não se cometam excessos nem injustiças e para onde as decisões sejam levadas para serem executadas ou encaminhadas para execucão por setores produtivos da sociedade seguindo as diretrizes sugeridas de forma participativa e descentralizada por associações que se criem de forma espontânea a partir das necessidades de cada localidade, dando mais autonomia às Federacões, para que se encontrem soluções específicas para os problemas locais, sem nunca perder de vista a totalibade do país e a integração que deve haver de parte a parte. Para mim, portanto, o melhor candidato será aquele que estiver com disposição para interagir abertamente com a sociedade, ouvindo suas propostas, incentivando projetos autônomos consequentes e investindo em novas tecnologias visando o reaproveitamento de matérias primas e a geração de empregos através de uma cadeia de micro, médias e grandes empresas de reciclagem, que a meu ver pode ser uma grande fonte de riqueza ao mesmo tempo em que atua na economia de bens e nos processos despoluição e preservação da natureza. Para isso também terá de haver rigor quanto aos níveis de emissão de dejetos, obrigando as grandes empresas a mudarem seus modelos de produção tendo em vista uma maior responsabilidade social e ecológica.

Muitos se perguntarão, como esperar que isso aconteça no Brasil, com a polícia matando e roubando, com o poder paralelo nos morros e periferias, com os estudantes tapados, reprimidos e agressivos agindo de forma violenta sob a proteção de uma Universidade a comportar-se como uma instituição medieval, como aconteceu no episódio envolvendo alunos da Uniban recentemente.
Mas o fato da Uniban ter voltado atrás na sua decisão devido aos protestos da sociedade reforça essa minha fé no poder de organização das comunidades, dos bairros, das tribos, das minorias e maiorias, dos ecologistas, dos empresários com visão de futuro organizados em prol de um crescimento limpo e responsável. Portanto, temos sim que pensar e muito em quem depositar nosso voto, mas com a convicção de que teremos que fazer nossa parte colaborando ativamente para essa transformação.

Semana passada estive envolvido em duas situacões em que a polícia do Rio agiu de forma abusiva. Um dia, no centro da cidade, um rapaz que fazia entregas vinha com um carrinho cheio de marcadorias quando teve uma de suas caixas furtadas por dois jovens que sairam correndo pela rua sete de setembro. Ao serem perseguidos, o que portava a caixa jogou-a no chão e conseguiu escapar, o outro, apesar da habilidade nos dribles de corpo, acabou tomando alguns socos e pontapés e perdeu velocidade sendo paralisado por um guarda que o algemou e o jogou no chão.
Nesse momento, uma parte da multidão que se aglomerava na volta começou com gritos de mata e lincha. Contestei um homem que fazia coro a esses absurdos do meu lado e ele respondeu que “bandido bom era bandido morto”. Eu lhe disse que seu pensamento sim era um pensamento de bandido, porque matar ou incitar à morte é crime muito maior do que furtar uma caixa de mercadorias.
Nisso, o policial deu um pisão nas pernas do autor do furto, o que me pareceu uma forma de avivar a brasa daquele “espetáculo”. Não pude assistir àquela cena passivamente e gritei pro guarda;
- Que é isso rapaz? Porque vc estava fazendo isso? o cara já está imobilizado!
- Ele disse que era pra o sujeito ficar melhor sentado
- Respondi que ele estava abusando da sua autoridade e que estava fazendo aquilo pra agradar a sua platéia.

FFoi quando chegou outro guarda com uma rapaz negro pelo braço que gritava: "sou trabalhador, sou trabalhador, tá aqui minha carteira, eu trabalho no taxi balsa," e mostrava a carteira de trabalho.
- O guarda falou: vc estava com eles, vc estava correndo também.
- E o cidadão respondeu que estava correndo porque estava atrasado para o trabalho, mostrou seu crachá, e , quase chorando, pediu pelo amor de deus que o guarda não cometesse com ele aquela injustiça
- O guarda tentou lhe dar um passa pé mas ele resistiu.
- Quando foi dar o segundo, me atravessei e disse pro guarda: pára com isso! vc não vê que pode estar mesmo cometendo uma injustiça? O cara tá te mostrando a carteira de trabalho dele, verifique antes de sair batendo. Um terceiro guarda que parecia comandar a operação deu-me razão e afastou o outro dizendo que ia se ocupar do sujeito.
- Vendo que estava tudo certo liberou o injustiçado, que ficou de longe gritando
- - "eu não sou ladrão, eu sou honesto. Só porque eu tava correndo. No Brasil preto correndo é ladrão. Vc é racista. Eu sou trabalhador e se fosse ladrão não ia roubar essa mixaria, ia logo roubar um banco."
Então fui até ele e disse-lhe para se acalmar, para sair dali, que voltasse ao seu trabalho, que ele tinha razão, era indigno o que ele havia sofrido, tanto que eu o tinha ajudado, mas que se insistisse naquela atitude poderia dar motivos para os policiais mudarem de idéia e até enquadrá-lo em desacato a autoridade, ainda mais com todo aquele público diante do qual não poderiam ser desmoralizados. Ele se foi, espumando.
Voltei e, vendo lado a lado o entregador e o ladrão, percebi que eram muito parecidos, mulatos suficientemente claros para serem chamados de brancos, ambos por volta de 24 anos, com bermudas, camisetas e boné parecidos. Até mesmo uma barba rala adornava ambos os rostos e os narizes levemente aduncos lhes eram semelhantes.
Mirei o rapaz que tentara roubar e lhe disse, apontando o entregador:
" Cara, olha bem pra ele, vocês se parecem, tem a mesma idade, devem até gostar das mesmas coisas, são fisicamente parecidos e se vestem da mesma forma, poderiam fazer parte da mesma turma, talvez venham a se encontrar num baile à noite. A diferença é que ele estava trabalhando e você roubando. E decidiu roubar um cara que poderia até ser seu amigo. E agora você está aí sentado no chão, algemado, com todas essas pessoas ao seu redor lhe fazendo ameaças. Olha só em que merda você se meteu."
Ele tentou dizer que estava perseguindo o verdadeiro ladrão, mas não colou porque o entregador o vira segurando o carrinho enquanto o outro pegava a caixa.
O mais impressionante era o ladrão ter pego aquela caixa sem saber o que havia dentro. Um roubo que era também uma espécie de loteria com poucas possibilidades de conter um grande prêmio. É esse Brasil que precisamos equacionar.

Outro dia estava com umas amigas no lado de for a do Azul Marinho, o restaurante do Hotel Arpoador Inn, que espalha suas mesas no passeio sobre a praia. Entre as mesas e as paredes do hotel passa uma via pequena para um carro que serve de acesso aos moradores dos prédios vizinhos e à policia para suas rondas até a pedra.
Eis que um carro de polícia passa correndo a uns 60 por hora saindo daquela viela onde a velocidade não deve ser ultrapassada dos 20km/h. Dei um grito mas não adiantou.
Daqui a pouco eles voltaram na mesma velocidade. e dessa vez, pela mesma via, vinha um garoto com menos de 10 anos andando de bicicleta de quem o carro da polícia se aproximava sem aliviar o pé. Vendo aquilo levantei fui em direção à viatura fazendo sinal com as mãos e gritando. Eles diminuiram e quando chegaram perto falei.
" Tá maluco? Isso não é velocidade para se andar aqui. Não vê que vocês coloca a vida das pessoas em risco? Vocês tem que dar o exemplo."
Um deles respondeu que estavam atendendo a uma ocorrência e que se chegassem tarde era deles que iam cobrar.
E eu respondi que se atropelassem alguém andando ali naquela velocidade também era deles que iriam cobrar e que havia todas aquelas testemunhas ali do restaurante.
Os caras não falaram mais nada e seguiram bem mais devagar.
Na volta vieram quase parando, eu estava de costas e quando chegaram perto de minha mesa dimiruiram ainda mais e ficaram olhando, as meninas reagiram com o olhar e, quando eu me virei, eles seguiram
Esse tipo de atitude quando você está convicto, coberto de razão e amparado na lei acaba intimidando até mesmo esses caras truculentos. Afinal, eles não tinham como saber se eu era um policial superior de folga, ou à paisana. A policia do Rio já sabe que a sociedade está de olho nela também.
O incidente envolvendo Itaipu e Furnas ontem à noite mostra o quanto toda centralização é perigosa. Houve já um grande investimento nessas hidrelétricas e não há como abrir mão de seus benefícios agora, mas temos que ter um plano B que inclua soluções locais, menores, com energia gerada por novas fontes, que podem até vir do reaproveitamento de matéria orgânica e que numa emergência possam suprir as necessidades de uma cidade por um razoável período de tempo.
Isso corrobora com minha idéia de que empresários com uma visão avançada podem dirigir seus negócios para esse tipo empreendimento. Já citei em comentário ao post Jogos, Futuro, Amor, Cidadania os casos da Novagerar e da Biogás de Nova Gramacho aqui no Estado do Rio como exemplos bem sucedidos desse novo modelo de pensamento empresarial com responsabilidade ecológica e social.
Mas tudo isso ainda está engatinhando, a podridão é muito grande, mas eu prefiro colaborar para as mudancas a pensar que o mundo como conhecemos terminará em 21.12 de 2012. Aliás, sexta estréia o filme, que pretendo assistir e comentar depois. O Calendário Maia e as previsões feitas para daqui a 3 anos e pouco são um tema interessante a ser debatido. Quem tiver interesse que vá preparando seus argumentos.

Ontem à noite, com o apagão, o Rio tornou-se uma paisagem diferente, com focos de luminosidade emergindo da neblina entre o vazio dos prédios e os faróis dos carros dançando como se não houvesse chão. A visão não era bela, mas sublime, na acepção de Kant. Mais comovente do que encantadora, causando espanto, respeito, quase medo, mas com uma força de atrair o olhar que me fez permanecer ali por um bom pedaço de tempo.
O dia amanheceu com tudo normalizado, o céu tomado pelos albatrozes e urubus, os bentevis atacando corajosamente um gaviãozinho na antena de um prédio vizinho e o casal de sanhaços namorando entre as roseiras da minha varanda. Depois ouvi um piado forte e insistente vindo de um quarto dos fundos. Chegando lá, me deparei com um lindo passarinho de plumagem muito colorida que depois identifiquei como um Tangará de Cabeça Azul, que ficou a me olhar e piando sem receio ainda um bom tempo, para depois tomar o rumo dos Dois Irmãos. O milagre da vida não pára!

Sexta viajo pra São Paulo para a estréia do novo show de Ana Carolina, assinado por Bia Lessa, que vem com uma concepção diferente e cheio de novidades legais. Hoje assisto ao último ensaio corrido. E, até o final do mês também, deve chegar às lojas o novo DVD da Ana, uma superprodução dirigida por Monique Gardenberg, com fotografia de Lauro Escorel e cenário de Gringo Cardia.
Em função desse lançamento e de outros fatores importantes, meu disco só sairá em março. Em breve darei mais notícias.
Boa continuação de semana. Beijones.
P. S.
U R G E N T E
Recebi ontem o belo disco do meu amigo "Carlos Eduardo" Dudu Falcão . Hit maker de prima, gravado por A a Z da MPB, Dudu mostra suas canções de forma confessional, como se estivéssemos com ele, senta
dos a volta de um bom vinho. E o vinho é feito do sumo da sua delicadeza, das coisas que ele sabe, de sua crença e paciência. Produção sutil e inteligente de Max Viana. Belos arranjos de Roger Henri, intrumentação leve e
chique, com destaque pro acordeão de Alessandro Kramer Bebê (sempre ele!) Falarei melhor num próximo post. Valeu Dudu! Parabéns!!!

Só no pedal!