sexta-feira, 3 de outubro de 2008

A CÂMERA FLUTUA











Essa semana dei uma pausa nas gravações e com o final da temporada do show Além do Paraíso, tirei a semana pra ficar em família e para fazer alguns programas culturais, aproveitando as excelentes possibilidades que o Rio oferece.

Na segunda estivemos no Teatro Carlos Gomes para rever "7- O Musical" de Charles Moeller e Claudio Botellho com música original de Ed Motta.

No palco, as cantatrizes Alessandra Maestrini, Zezé Motta, Ida Gomes, Rogéria, Eliana Pittman, Alessandra Verney e grande elenco, todos com desempenhos brilhantes.

O cenário, a iluminação e os figurinos são maravilhosos!

No fosso da orquestra apenas cinco músicos, mas que soam como se formassem um grupo de 10 ou 12, graças aos preciosos arranjos da Délia Fischer. Foi uma oportunidade exemplar de comprovar a veracidade de uma frase que ouvi do João Donato quando começamos a trabalhar em parceria há 3 anos atrás. Estávamos às vésperas de gravar o DVD Sinal dos Tempos em Porto Alegre e o João, que faria um arranjo de sua música A Paz (parceria com G Gil) falou que fazer soar um grupo grande de músicos era fácil, mas que obter um bom efeito com um grupo pequeno era tarefa para gente de muito talento. E foi isso que a Délia obteve, valorizando as lindas músicas, ricas em harmonias e melodias sinuosas que o Ed Motta compôs sobre as letras do espetáculo.

Aliás isso me fez lembrar de uma crítica que a Barbara Heliodora escreveu no jornal O Globo sobre essa peça, onde referia-se às canções de Ed como alheias ao universo de um musical, por serem sombrias demais, ou algo assim. Na verdade as canções inserem-se num universo cujas referências estão próximas de Jobim, Cole Porter, Edu Lobo, Henri Mancini e até mesmo Ennio Morricone e Nino Rota em algumas passagens. Quer dizer, as melhores referências possíveis. Por isso discordo diametralmente do ponto de vista da sra. Heliodora, o que seguidamente acontece, não só quando ela senta o pau em peças que me agradam, como também, quando recomenda como como boas, encenações banais e corriqueiras. Estou feliz que o Sérgio Brito voltará a escrever críticas de teatro no Globo, pois esse é um artista que além de conhecer o teatro por dentro e por fora é também um grande apreciador de música e com isso poderemos ter mais uma opinião de peso num jornal tão importante.

Voltando à segunda passsada, esse dia foi aniversário da atriz Ida Gomes que, celebrando suas 85 primaveras em cena, estava felicíssima e proporcionou, depois do espetáculo, uma festinha com cachorro quente, pipoca e algodão doce, no foyer do teatro. Encontrei o Ed a quem parabenizei não só pelo trabalho que acabara de ouvir, mas também pelo seu excelente disco novo, onde ele toca todos intrumentos com propriedade.


O espetáculo 7 está no Teatro Carlos Gomes e para atiçar ainda mais a vossa curiosidade, segue abaixo um link com trailer do musical.
http://www.axion.com.br/seteomusical

Na quarta, Gabriela voltou de São Paulo e fomos juntos assistir à estréia do filme Feliz Natal de Selton Mello no Cine Palácio dentro da programação do Festival do Rio.
Filme denso e corajoso de roteiro muito bem amarrado com excelentes diálogos que soam com impressionante naturalidade. O time de atores é muito bom e pode-se inferir de seus desempenhos a batuta do diretor, pois, de certa forma, há nas atuações, em seus ritmos, um parentesco com a assinatura do Selton ator. Darlene Glória está impagável! A câmera, nervosa, nos coloca dentro da cena, com muitos planos fechados, segundo o diretor, uma referência ao cinema de John Cassavettes. Senti também uma proximidade com o universo de David Linch pelas elipses e composição vertiginosa de algumas cenas. Recomendo e, pelo que ouvi falar, é um dos fortes candidatos às premiações da mostra competitiva do festival.

Ontem fomos na sessão de autógrafos da escritora Martha Medeiros na Livraria da Travessa do Shopping Leblon. Pra quem não conhece, a Martha é cronista dos jornais O Globo (Rio) e Zero Hora (de Porto Alegre) e já tem 16 livros lançados, incluindo esse mais recente, Doidas e Santas, em cuja página de rosto recebi sua amável dedicatória. A Martha também é blogueira e dá dicas de livros e filmes na sua quase diária publicação da web:

http://www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&pg=1&template=3948.dwt&tp=&section=Blogs&blog=255&tipo=1&coldir=1&topo=3994.dwt

Pra quem quiser saber mais a respeito de Martha, há bastante informações no Google, Wikipedia, etc

Hoje à noite iremos assistir ao show de Jussara Silveira com José Miguel Wisnick e Arthur Nestrovski na Sala Cecília Meireles. Depois eu conto.

Percebi dos queridos leitores uma participação menor no último post, que deduzi ser em função do conteúdo político do que escrevi. Mas também houve algumas manifestações interessantes de pessoas que estão ligadas no assunto.

Algumas pessoas têm vindo com freqüência, Kiana, Marco Aurélio (obrigado pela recomendação em seu blog Matungão), Camilinha, Hannaly, Fabiana, Anna Luna, Isabelle (que tem enviado fotos), Kate Ramalho, Patricia Andrezza (que com um barrigão de quase 9 meses deu-me a honra de festejar seu aniversário no show da semana passada), Sebastian, Monikete, Paula Estrela (que também curte minha conterrânea Lya Luft e comentou a letra de A Prima do Ciúme, que está disponível em Obra Aberta). Também fiquei feliz de receber notícias da Cacol, que estava sumida. Quem trafega pelo universo da Ana Carolina deve conhecer a Cacol dos tempos em que ela capitaneava o fã clube Papel Fuleiro. Uma tarefa complicada, visto a energia que devia pesar sobre ela. Que bom que ela está bem. Aguardo uma visita num próximo show.

Enfim, desculpe se esqueço alguém que tem vindo passear pela Câmera, mas o que eu queria dizer é que essa freqüência é que justifica e enriquece a existência desse blog. Quem estiver navegando mais pelo site conte suas impressões. Alguém já ouviu a nova versão eletrônica de Istancov em Obra Aberta? Foi feita por Rodrigo Campello (que produziu o último disco de Roberta Sá) e Junior Tostói (que toca com Lenine e foi co-produtor do último disco do meu amigo pernambucano, o excelente Labiata).

Gostaria de saber a opinião de vocês.
Ainda não postei Ouro e Além do Paraíso, pois essas músicas devem ficar inéditas na rede por enquanto.

O mesmo acontece com as músicas que estou produzindo junto com Don Grusin para o disco que sai em março. Entre essas canções está El Guión, que foi um dos hits da temporada do Espaço Laranja.

Por hoje é só.
Bom fim de semana a todos.
Abraços

Fotos: cartaz de "7 - O Musical" , 2 fotos do filme Feliz Natal (Leonardo Medeiros e Darlene Glória) e Martha Medeiros comigo no seu lançamento ontem na Livraria da Travessa.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

RESUMO DA ÓPERA; ESTOU COM GABEIRA COM MUITA ALEGRIA!







Domingo fui na passeata do Fernando Gabeira. Estou com ele, com muita alegria por ter alguém em quem confio pra votar para prefeito da cidade onde moro, porque isso é um artigo raro. Na verdade, transferi meu título de eleitor de Porto Alegre para o Rio quando fiquei sabendo que o Gabeira seria candidato a prefeito. Bendida coincidência, no dia que transferi meu título para o Rio e logo depois de sair do posto do TRE onde efetivei essa mudança, fui tomar um café na Livraria da Travessa de Ipanema. Logo que entrei divisei o rosto bonito de uma jovem mulher que tive a impressão de já conhecer. No instante seguinte constatei que aquele rosto bonito era de Maya Gabeira, a intrépida surfista das grandes ondas, filha daquele político que me conquistou desde sua chegada do exílio no final dos anos 70. E logo percebi que interlocutor da moça era esse mesmo cara que passei admirar quando ele reinventou a postura da esquerda no Brasil, dizendo que podíamos ser inventivos, bonitos e felizes  antes mesmo de que nossas aspirações por um mundo melhor se concretizassem. Enfim, quando cheguei na livraria, logo depois de fazer minha transferência de título encontrei Fernando Gabeira, justamente o cara que me havia motivado a votar no Rio.  Mesmo sem conhecê-lo pessoalmente não resisti e o abordei falando que acabara de transferir meu título para poder apoiar a sua candidatura. Ele me respondeu que faria de tudo para honrar meu voto, o que eu já achei um bela postura que, de saída, confirmava minhas convicções.

Mas por que?
Porque ele é um homem corajoso, vivido, honesto, verdadeiro e que conhece muito bem a realidade brasileira, incorporando em sua análise, e em seu plano de governo, todos os cidadãos, sem preconceitos, respeitando gêneros e escolhas sexuais, encarando a questão da segurança da cidade com seriedade, com enfrentamento, debatendo a questão da liberação ou não das drogas com uma análise política corajosa e pertinente. Ele é o único cara capaz de peitar as organizações paralelas que ditam as leis nas favelas do Rio, porque é um cara com capacidade de compreender essas forças, e saber como dissiduadí-las ou derrubá-las. Mas, para isso acontecer, ele precisará contar com o apoio dos cidadãos cariocas quando for eleito, pois é uma tarefa árdua e todo mundo sabe disso. Estarei com ele, assim como muitos outros artistas que afinaram-se com o seu projeto, sua estratégia e com a forma com que ele pretende operá-la.

Estou colocando um link de um vídeo da campanha, onde pessoas abordadas nas ruas  e alguns artistas e outros agentes da cultura e dos meios de comunicação, como Caetano Veloso, Leda Nagle, Du Moscovis e Nelson Motta,  emprestam sua solidadriedade, seu apoio a esse cara que, para mim, é o político mais inteligente e capacitado para governar e dar um jeito na cidade do Rio de Janeiro nos próximos 4 anos, acreditando também que seu sucessor seja um continuador de suas idéias e das idéias dos melhores brasileiros que moram nessa cidade encantada. E que seja para sempre bela e encantada!

Para ver e ouvir, copie e cole no seu navegador, vale a pena!

http://br.youtube.com/watch?v=ORsXkK8QeWQ



A primeira foto que anexei,  e que está mais embaixo, foi feita no começo da noite do último domingo, voltando da Barra, depois de uma rica conversa sobre música que tive com a cantora e compositora Bárbara Mendes, que é uma artista maravilhosa, ainda não conhecida no Brasil, coisa que não vai durar por muito tempo, pois ela canta muito!  É incrível como a música, mesmo sem som, visitou essa imagem, cedendo uma infinidade de colcheias coloridas que me fizeram acreditar ainda mais nos meus sentimentos de fraternidade, pois não há nada mais belo e primitivo do que a música e entre suas propriedades está o dom de agregar.  Por isso, para mim, música é tudo!

Ainda nas fotos, alguns momento do show Além do Paraíso, com Otto, Barbara Mendes, Chiara Civello e Gastão Villeroy. De quebra uma foto com Jonas Bloch e Beto Coville que foram pro abraço no camarim. A propósito eles estão em cartaz com a peça Senhor das Flores no Teatro dos Quatro, no Shopping da Gávea nas terças e quartas às 19:30, até semana que vem. Imperdível o texto, de Vinicius Marques,  é ótimo e o Jonas é uma dos melhores atores do teatro e das telas brasileiras.

Abraço a todos
Obrigado pelos comentários
Falarei a respeito em breve.

sábado, 27 de setembro de 2008

REFLEXÕES DE UM DIA DE CHUVA



O tempo no Rio continua invernal. A sensação térmica deve estar em torno de 12º C, céu carregado e chuvas esparsas. Parece que estou na serra gaúcha, o que de certa forma desperta uma pequena saudade daquela paisagem e também uma saudade do pampa, de onde sou nativo.

Aqui no Rio não cultivo muito o hábito de tomar chimarrão, mas certamente estaria mateando se estivesse no Sul. Esse tempo feio inibiu minhas pedaladas, coisa que faço quase diariamente. Aliás só saio de carro à noite ou quando tenho que fazer algo além túneis (Rebouças ou Zuzu Angel). De resto, resolvo quase tudo de bicicleta, o que é mais saudável, contribui para desafogar o trânsito e diminui minha parte nas emissões de CO2. 

Acho que as pessoas que não se adequam ao transporte coletivo deveriam tentar desenvolver esse hábito, como acontece na Holanda e outros lugares onde essa consciência é mais desenvolvida. Mas não bastam as ações individuais, também temos que agir coletivamente exigindo  transporte público digno e mais barato.

Foi um absurdo o que aconteceu em São Paulo: no dia programado para que as pessoas deixassem o carro em casa,  houve um dos maiores congestionamentos da história da cidade. Isso fez lembrar de um livro de Inácio Loyola Brandão, Não Verás País Nenhum, de 1981, um romance fantástico, impactante e de difícil digestão,  que projetava o Brasil num futuro não muito distante em que todas as bolhas pareciam ter estourado:  a falta de recursos naturais, a explosão demográfica, a falência do sistema financeiro, a escassez de água potável, a mutação genética, a perda da identidade individual, entre outras conseqüências do mau uso que fizemos do que nos foi disponibilizado nesse planeta para cumprirmos nossa evolução.  

Em seu livro, Loyola Brandão descrevia o dia do GRANDE ENGARRAFAMENTO (grafado em  maiúsculo), em que os automóveis, tomando todos os espaços das vias, formariam um  gigakilométrico comboio, irrecuperavelmente estático. Os proprietários dos carros relutariam em abandoná-los, mas por fim o fariam, ao cabo de algumas horas, dias ou semanas, conforme a sua capacidade de desapego. E esses veículos, após sofrerem inevitáveis depredações formariam um imenso museu a céu aberto. Uma gigantesca instalação da além pós modernidade, de alto poder reflexivo. 

Preciso dizer que não sou um cara fatalista e assim como Caetano em  sua canção Fora da Ordem,  eu também acredito em várias harmonias bonitas possíveis sem juízo final. Mas que tomamos um rumo errado, isso tomamos. 

Nunca gostei muito da idéia de luta de classes, pois sempre preferi acreditar na união das classes e sempre pensei que o bom combate deve ser feito com solidariedade e respeito ao outro. Mas as diferenças sociais chegaram a um nível absurdo, insustentável, que acabou dando espaço aos poderes paralelos e milícias que vemos expandir-se nas favelas e periferias do mundo. 

Diz-se que o lema da Revolução Francesa deveria ser, a princípio, Fraternité, Égalité, Liberté e não Liberté, Égalité, Fraternité, como acabou consagrado. Qual a diferença? É colocar a Fraternidade na frente, na base, pois sem ela não pode haver nem igualdade nem liberdade verdadeiramente conseqüentes. Ser fraterno implica em tratar alguém como irmão, de igual para igual.  Não igual por não possuir identidade própria, mas sim por gozar dos mesmos direitos, condições e perspectivas. Ao nos sabermos iguais, poderemos finalmente ser livres, pois nossa liberdade não afetará em nenhum aspecto a liberdade do outro. 

A liberdade, colocada como foi no princípio do lema, pode levar a vários desdobramentos não necessariamente igualitários nem fraternos. A serviço das paixões mesquinhas e do egoísmo pode ter conseqüências desatrosas.  

Sempre sinto calafrios quando nos filmes americanos algum personagem solta a célebre frase:
 - This country is free! ,como uma apologia às liberdades internas daquele país em contraponto a outros países onde essa liberdade não é encontrada. Essa frase era mais típica na época da guerra fria e era uma forma subliminar de desqualificar os estados totalitários da União Soviética, de Cuba e de outros países com governos de inspiração socialista. 

Na verdade sempre fui adepto do caráter fraterno e igualitário que estava no cerne das manifestações que originaram as transformações dessas sociedades, mas isso também não seria suficiente, como de fato não foi,  se entre as conseqüências dessas transformações e no ápice delas não se encontrasse a liberdade. Por isso, embora eu tenha um espírito cuja expressão política mais aproximada é o socialismo,  sempre fiquei com um pé atrás com os mencionados governos do socialismo real pois que, ao tornarem-se totalitários, confiscaram a seus cidadãos suas possibilidades de pensar e agir livremente. O que eu sinto, no fundo, é que até hoje não tivemos, nessa breve história da nossa civilização, uma organização política que atendesse a todas necessidades do ser humano. 

Talvez a emergência dos fatos  desperte-nos um inquebrantável desejo de harmonia que nos impulsione a conduzir a história para um ponto ideal num futuro próximo. É isso ou a barbárie. 

Ainda sobre a liberdade dos americanos, se é que ela pousa suas asas sobre todos que vivem naquele país,  a sua conta muitas vezes foi e ainda é paga com a opressão de outros povos, invariavelmente com níveis inferiores de desenvolvimento. E essa liberdade sem fraternidade e igualdade, no que diz respeito à economia,  erigiu um mundo globalizado fragilmente sustentado sobre os alicerces dos livres mercados, totalmente autônomos, sem regulamentação, ou regulados de forma parcial, seguindo a ótica da especulação, da exploração e da cobiça, sem levar em conta as necessidades verdadeiramente globais dos seres que habitam os 510 milhões de km2 a que estamos confinados nesse recanto do Universo.

Pois esse desenfreado liberalismo, com o capital financeiro ao volante, agora clama por uma intervenção do Estado, do funesto estado americano para resgatar papéis podres, que foram fonte do lucro ilícito de especuladores mundiais sem o menor escrúpulo. Não deixa de ser um contrasenso, e, perdão pelo lugar comum, uma ironia do destino,  que os poderosos defensores e grandes beneficiários do fundamentalismo de livre mercado, instalados em Wall Street, dependam hoje de uma cirurgia estatal para garantir sua sobrevida. 

Comecei esse papo com um passeio de bicicleta e acabei nessa conversa que está nos noticiários do mundo inteiro. Mas é fato que não podemos flanar pelo mundo como se essas coisas não estivessem acontecendo. Isso me fez lembrar uma música feita em parceria com Ana Carolina, Nada Te Faltará, que clama pela fraternidade: 

peço paz aos filhos de Abraão
quero Gandhi na melhor versão 
e nada vai me faltar 
e nada te faltará.

Realmente é isso que desejo, que nada falte a ninguém, que todos tenhamos acesso a tudo.
Utópico?
Pode ser, mas no terreno da canção tudo é possível.
E se as canções têm o poder de colocar as pessoas em um estado vibratório positivo, certamente  bons  pensamentos  e ações corretas podem contribuir para um mundo melhor. 

Estava pensando em falar ainda sobre alimento orgânico, reciclagem e outros assuntos relativos que fazem parte de minhas preocupações, mas já me sinto muito extensivo hoje e por isso deixarei para um futuro post.

Encerramos a temporada do Além do Paraíso no Hideaway nessa quinta. Foi o melhor dia, pois naturalmente o show cresceu, ficou ainda mais dançante e foi uma delícia ver  as pessoas se divertindo ali na frente, num clima muito alegre e amoroso. Nós no palco também nos divertimos muito, todo mundo mandou ver!

Em breve, acho que ainda em outubro, voltaremos em algum outro lugar do Rio. E deve rolar também em São Paulo e Porto Alegre em novembro.

Muito obrigado a todo mundo que foi ao show e a todos que têm vindo aqui. Li todos os comentários com muita atenção, alguns mais de uma vez, mas como falou a Paula Estrela eu teria que morar na frente do computador se quisesse responder a todo mundo.

Amanhã vou adicionar algumas fotos do show, hoje deixo essas imagens do Rio nublado e chuvoso, que foram inspiradoras, afinal deram start aos meus escritos do dia. 

Essa semana vou concluir em estúdio a canção Além do Paraíso e começar as bases de novas músicas, Odisséia, que abre o show, Velas Pra Todos os Santos (uma milonga altamente dançante), Aqui (que resolvemos colocar no disco) e alguns sambas.

Assim que souber quando e onde serão os shows vocês serão os primeiros a saber.

Boas vibes a todos.






segunda-feira, 22 de setembro de 2008

ÚLTIMA NOITE DE QUINTA "RECICLANDO O PARAÍSO "













Na próxima quinta encerraremos a temporada no Espaço Laranja com canjas de Leila Pinheiro e Bárbara Mendes. Meu parceiro Bebeto Alves deve estar no Rio e, se aparecer por lá, também vou chamá-lo pra cantar. 

Obrigado a todo mundo que andou por aqui, em especial a quem deixou suas impressões. Ana Luiza, obrigado pelas fotos. Aproveito para colocar uma delas, com a vocalista Juju Gomes e o guitarrista André Siqueira que ainda não tinham aparecido no blog. 

Hoje não poderei responder a todos comentários, pois se assim fizesse não sairia  da frente do computador e tenho ainda algumas letras para terminar ou, pelo menos, dar continuidade,  mas quero dizer que li o que todo mundo escreveu e fico contente com a visita de vocês. Quem quiser mostrar músicas pode enviar para o e-mail do site, pois algumas pessoas falaram disso e não deixaram endereço. Valeu Renato pelo CD, também visitei seu site,  Camilinha, o baterista da banda é seu conterrâneo, adoro Curitiba, uma das cidades mais organizadas e limpas que conheço.  Valeu Ligia (dear presidenta), foi bom ver você lá. Chegamos a ensaiar, mas não deu pra colocar Quero Pegar no repertório, era muita música. Fizemos Ela não sabe dizer Adeus  no segundo dia  na canja da Chiara Civello que criou uma linda  versão em italiano.  Marco Aurélio, nessa quinta a Bárbara vai cantar a sua preferida.

Hannaly, gostei muito do seu blog, desde o título, os temas, o jeito que você escreve, sua visão crítica das coisas. E também o fato de que você quer estudar música. Se for mesmo fazer isso, comece agora, não espere entrar na faculdade para dar a partida, até porque assim quando chegar na hora do vestibular você terá mais certeza do que quer e já estará mais avançada nos seus conhecimentos. Eu comecei a compor mais ou menos quando tinha a sua idade e preferia ter estudado mais, assim hoje poderia estar regendo ou escrevendo concertos.

Voltando ao show, nessa quinta será a última noite e por isso pensei em fazer um agrado aos freqüentadores do blog. Portanto, quem estiver no Rio e quiser ir, escreva para o e-mail do site (contato), deixe seu nome que o pessoal da produção coloca na lista amiga : não é convite , pois o Hideaway é restrito quanto à isso, mas o ingresso fica mais acessível.  Quem escrever para o e-mail receberá uma resposta com mais detalhes.  

Hoje o Gastão esteve aqui no meu estúdio trabalhando na edição da canção Além do Paraíso, que está  ficando bárbara, com clima cigano,  com acordeon do Bebê e violino do Nicola Krassik, esse um francês que adotou e foi adotado pelo Brasil e pela música brasileira, e que manda muito bem no seu instrumento. Pretendo convidá-lo também para uma participação no DVD.  Falando em Gastão, postei uma foto do show do Milton Nascimento em Ouro Preto, com participações especiais de Wayne Shorter e Ron Carter. Pra quem não sabe, o Gasta também atua com o Milton há uns 5 anos, quando foi gravado o CD Pietá. E quem quiser saber mais sobre  Shorter e Ron, procure no Google, no Youtube, na Wikipedia, há muitas ocorrências, os caras fazem parte da história do jazz dos anos 50 para cá.

Coloquei também uma foto com a Ana no primeiro dia da temporada do Hideaway, porque essa imagem tem uma energia incrível.  Nem vemos o  rosto da Jajá, mas o movimento da sua cabeleira  e a minha cara dizem tudo.  

O Rio começou a primavera com clima de inverno, ou parecendo o outono no Rio Grande do Sul, por isso postei essa imagem de folhas de plátanos da serra gaúcha. Sinto falta das 4 estações, o clima está cada vez mais estranho. Mas não dá pra ficar só lamentando, jogar a toalha. Nem todo mundo tem tempo ou talento pra grandes feitos, mas cada um é responsável pelas coisas do seu dia a dia, em separar o lixo, poupar água, estabelecer relações mais francas e verdadeiras, mas isso será assunto para um novo post. Estou feliz porque o Gabeira cresceu nas pesquisas, pois ele é um cara que tem uma visão mais ampla das coisas, abarca uma noção maior de espaço/tempo e inclui um maior número de variantes nas suas equações políticas. É um homem político no bom sentido do termo.  
Essa é minha opinião pessoal que quis compartilhar com vocês, sem querer fazer a cabeça de ninguém.

Boa semana a todos.
Abraço