










Adorei o humor, as ironias do texto. Há alguns subtextos que talvez só sejam familiares pra quem trabalha com produção cultural, mas que também não interferem no acompanhamento da trama para quem não é do meio. É apenas uma cereja no bolo para os famliarizados com o assunto. O crítico teatral Bárbaro, por exemplo é inspirado na crítica teatral Bárbara Heliodora que escreve no jornal O Globo. No primeiro capítulo, após a estréia de Sonho de Uma Noite de Verão ele diz para Elen (Andrea Beltrão) que se ela quiser saber sua opinião sobre a peça que compre o jornal no dia seguinte, mas que por outro lado eles podem jantar juntos e que o texto pode ser mais favoreavel. Dizem alguns (não sei porque não conheço pessoalmente) que a Heliodora, especialista em Shakespeare, é sempre mais condescendente e até generosa em seus comentearios para com quem ela tem relações de amizade.
Outra figura importante do mundo do teatro que é lembrado na minissérie é Gerald Thomas. O diretor chamado para dar continuidade ao trabalho de Oliveira (Rangel) após sua morte é Oswald Thomas, que, a cada frase, intercala, pelo menos, uma palavra em inglês, tal qual Gerald. Dante (Felipe Camargo) desafeto de Oswald, por provocação costuma chamá-lo de Geraldo. Essa história referencia um episódio acontecido nos anos 90. Num evento ocorrido no MAM, Caetano Veloso e Gerald Thomas protagonizavam a leitura de um texto, quando, em dado momento, irritado com a performance displicente de Gerald , Cae parece ter dito algo como: "assim não dá, o Geraldo não dá as intenções da fala" .
O Gerald ficou puto e saiu de cena. Mais tarde, acho que pela imprensa, o Caetano justificou-se dizendo que o chamara de Geraldo, fazendo referência ao Oswald de Andrade que era carinhosamente apelidado de Osvaldo por amigos. Parece que Caetano e Gerald só fizeram as pazes um tempo depois quando o encenador dirigiu Gal Costa em um show.
Outra menção a um fato real, só que mais sutil é quando Ricardo (Stulbach), ao receber Graça (Casé), substituta de um funcionário da Secretaria de Cultura, a chama duas vezes de Grassi. Ela o corrige dizendo que é Graça e não Grassi ao que ele responde, "é a força do hábito pois trabalhei muitos anos com Grassi". Para quem não lembra, Antonio Grassi era o Diretor da Funart e foi substituído por Celso Frateschi, num episódio controverso que revoltou boa parte da comunidade cultural.
Bom, mas chega de Som e Furia, que já estou parecendo aqueles caras viciados em Lost, que não falam em outra coisa.
Dani, como disse Hannaly, Twitter é um pouco demais pra mim nesse momento. Até já estou inscrito, mas não costumo postar lá. Tenho medo que vicie. Gosto desse tempo de escrever saboreando, com um pouco mais de reflexão. Mas não digo que desse twitter não provarei, só que ainda não está me apetecendo. De qualquer forma, obrigado pela sugestão.
Juliana, obrigado pela dica, muita gente me falou de Estômago, mas ainda não vi. Gosto muito do ator principal, João Miguel, que atuou tambémem Aspirinas e Urubus. Também estou curioso com os três filmes do Selton Mello que estão em cartaz. Como disse Paulo Betti em uma entrevista, ele é o centroavante do cinema brasileiro. Está sempre bem em todos os seus papéis. Adoro Cheiro do Ralo, que vi no cinema e outras duas vezes em casa no Canal Brasil. O mesmo aconteceu com Meu Nome Não é Johnny. Também já falei aqui em um post do ano passado sobre o primeiro filme de Selton como diretor, Feliz Natal, que também gostei muito, tem um ritmo semelhante ao das suas falas como ator.
Aqui no estúdio, as coisas estão indo muito bem. A trilha está ficando com um sonzaço de arrepiar.
Quando cheguei aqui para mixar foram surgindo novas idéias e acabei compondo e gravando outras músicas o que alterou um pouco meu cronograma, mas enriqueceu bastante o trabalho. Ontem ainda gravei vozes de Denise Fontoura, de quem falei no post anterior, e de Gelson Oliveira, esse um grande artista, cantor e compositor que está lançando em agosto um disco excelente que vem acompanhado um belo texto de apresentação de Gilberto Gil.
Ainda ontem pela manhã, compus uma música nova cuja melodia foi gravada por Jorginho Trompete tocando Flugelhorn. Esse cara também é muito fera e já trabalhamos juntos há muitos anos.
Felipe, não sei de que fronteira você é, mas o filme também foi rodado em uma região fronteirica, nos municípios de São Gabriel, Bagé, Caçapava e arredores. Isso foi uma boa coincidência, que tenham me chamado para fazer a trilha de um filme com imagens captadas na região de minha infância.
Mas o filme não é regional, não faz nenhuma referência ao local onde foi filmado. A trama pode se passar em qualquer parte do mundo, não aparecem dados culturais nem mesmo sons de natureza, objetos ou diálogos que possam evidenciar o perfil geográfico de onde se passa a história.
A pré-estréia do filme será dia 30 de julho, simultaneamente em São Paulo, São Francisco (EUA) e Tóquio, em sistema digital 4k, que, como expliquei em outro post, tem uma definição de 8 milhões de pixels.
A trilha sairá sim em CD na época do lançamento nos cinemas, que acredito será mais para o final do ano.
Hoje à noite vai rolar um encontro de músicos e velhos amigos, na casa do Rebu, meu irmão que mora aqui.
Bom fim de semana pra todos.
Abraço






Segunda-feira 06/07/2009 No Ar
23:20 Voando para Porto Alegre, acabei de ler, na revista da TAM, uma matéria sobre Som e Fúria, minissérie que Fernando Meirelles está dirigindo para a Rede Globo, com Pedro Paulo Rangel, Andréia Beltrão, Débora Falabella, Rodrigo Santoro, e outras feras. Segundo resenha que li em algum site, a minissérie mostra os desafios de um grupo de teatro para manter a qualidade artística de seu trabalho em contraste com as exigências comerciais e de público. Com ironia e bom humor, questões pessoais e profissionais entram em conflito, criando tramas e dramas entre atores, diretores e patrocinadores.
Fiquei muito feliz ao saber que o PP Rangel é protagonista, porque sempre admirei seu trabalho, no teatro e nas telas . Ele é de fato um dos grandes atores brasileiros. Trabalhamos juntos nos anos 1990 quando fiz a trilha da peça Circo da Solidão do saudoso criador e diretor Márcio Vianna no CCBB, no Rio de Janeiro. A peça era sobre Werther , um Werther multiplicado em passado, presente e futuro, espelhando seu autor, Goethe, e Roland Barthes que o releu brilhantemente em Fragmentos De Um Discurso Amoroso. O Pedro Paulo fazia um dos papéis principais, o Werther do futuro que julgava a si mesmo em seu momento derradeiro numa brilhante atuação.
No começo do ano, encontrei o Ary Fontoura, quando fui convidado por Edson Celulari a fazer um show surpresa no aniversário de Claudia Raia, a Donatella de A Favorita, que estava em seus capítulos finais, e que eu acompanhava como acompanhei Cobras e Lagartos, ambas novelas de João Emanuel Carneiro.
Fui comprimentar o Ary, por tratar-se de um ator cujo trabalho também admiro há muito tempo. Ele me respondeu: "Você fala isso porque agora estou na moda." Eu lhe disse, "Não é verdade, eu lhe acompanho e lhe admiro desde os tempos de Saramandaia (1976) e sentia falta de vê-lo mais seguidamente." Ele ficou surpreso qcom minha resposta, pois andava meio sumido. Pois agora ele já emplacou em outra novela
Por isso torço agora que o Pepê também fique na moda, pois quem ganha com isso é o espectador brasileiro. Mais um ponto pro Meirelles.
14:07 Tá batendo uma fome incrível. Mas ainda vamos seguir aqui por pelo menos mais uma hora. Tem que cuidar pra não ficar tomando cafezinho, porque em estúdio pode começar como desejo e acabar em compulsão.
15:00 Saída pro almoço.
16:00 Voltando do almoço, comida caseira, com feijão mexido, couve, salada e legumes no vapor.
Agora vamos gravar umas percussões com outro grande músico, Giovanni Berti, que tem sobrenome italiano e cara de índio. São essas miscigenações que conferem ao brasileiro tanta musicalidade e espírito universal.
O Giovanni trouxe um vaso marroquino que tem um som muito interessante. Inspirou-me uma música nova, que vai encaixar como uma luva numa cena cuja trilha ainda não me havia satisfeito. A trilha, de uma forma geral está mais acústica com duas músicas orquestrais. Não há bateria, nem guitarra elétrica em nenhuma delas, em alguns casos, coloquei loops que estamos complementando agora com percussão acústica ao vivo. Agora que estou terminando a parte de criação e gravação e que entraremos na parte de engenharia sonora, começo a sentir saudades de todo o processo de concepção desse trabalho.
17:20 Acabamos de receber a visita de uma querida amiga, a cantora, flautista e saxofonista, Denise Fontoura, que chegou de um Concerto para Juventude com a Orquestra de Câmara de Theatro São Pedro. A Denise morou anos em Viena e me hospedou em sua casa algumas vezes. Em 2005 gravou comigo o CD/DVD Sinal dos Tempos. É bem possível que ela grave alguma coisa aqui na trilha.
18:30 Fechando a tampa por hoje.
www.antoniovilleroy.com
www.myspace.com/antoniovilleroymusic
Amanhã falamos mais.
Abraços.
Fotos:
Pedro Paulo Rangel Shakespeareando em Som e Fúria
Tiago Becker
Paulinho Fagundes