terça-feira, 14 de julho de 2009

Work in Progress

Terça, 14 de julho

4:10 Terminando a sessão de estúdio. Estamos aqui há quase 20 horas, com apenas intervalos para almoço e lanches. Finalizamos hoje a mixagem do segundo rolo do filme. Faltam mais dois. Enquanto o computer copia e salva, dou início ao novo post. Aqui dentro está quentinho, na rua está fazendo 8ºC. Pela manhã vou levar as mixagens desses primeiros rolos de trilha para o engenheiro que mixa o som geral do filme, com a música, falas e sons ambientais. Amanhã vou me dedicar a acompanhar esse trabalho. Quarta de manhã retomamos a mixagens das músicas.

O post de hoje vai ser um work in progress. Se alguém comentar nesse meio tempo, poderá alimentar os assuntos do dia. Vou dar uma pausa por aqui e retomo mais tarde em algum horário.

4:14 Desligando o lap, pra ir embora. Até logo.





10:50 Os termômetros em Porto Alegre marcam 10ºC. Fui dormir às 5 e acordei às 9. Gostei de ver a rapidez dos comentários, quando abri o post já havia dois.

Giselle, a idéia é essa mesmo, de que vocês acompanhem de pertinho esse processo, até para saberem um pouco como isso funciona. Estamos mixando em 5.1 e agora não estamos com tempo de fazer o 2.0 (stereo). Ontem combinei com o Tiago Becker, meu engenheiro de som, que isso será feito no começo de agosto. Só então poderemos fazer o up load das músicas no site oficial e no myspace. Eu bem que gostaria de já ir colocando, mas a prioridade agora é entregar o material para finalizar o filme.

Ariadne, você não está sendo nem um pouquinho estúpida. Sua pergunta é bem pertinente.A inspiração nem sempre vem. Às vezes, ela surge sem aviso e é bom que se esteja disponível para aproveitar. Em outras, tenho uma encomenda e, se não estou inspirado, fico tocando algum instrumento, até provocar alguma idéia. Muitas vezes vou para o piano, porque tenho menos familiaridade ou mudo a afinação do violão, pois o estranhamento geralmente me provoca uma reação criativa.

Toco violão desde os 14 anos de idade o que pode conduzir-me a caminhos já percorridos. Certa vez o grande guitarrista George Benson disse que "estava com a cabeça cheia de idéias, mas bastava pegar no instrumento para que elas se dissipassem..."

Para a trilha do filme não estou tendo dificuldades criativas. Aliás, fechando a tampa nessa madrugada, descobri que vou ter que criar uma música nova, pois embora os diretores considerassem que eu podia reaproveitar o material já existente com outros arranjos, comecei a sentir falta de novidade na trilha. Vou aproveitar a tarde de hoje para fazer isso, assim que terminar meu trabalho junto com o sonoplasta do filme.

11:21 Em progresso ...





16: 10 Tupy or not Tupy, that's the question?

Me vali dessa frase, tipicamente antropofágica, que tupinifica Shakespeare para destacar o comentário de Anna Luna, que lembrou Oswald como principal sujeito do Modernismo no Brasil. Não sei se isso é cem por cento verdadeiro, mas lembro que num dado momento, nos estudos de literatura na escola, os livros davam mais ênfase às contribuições de Mário de Andrade ao movimento. Com o tempo, a obra e as atitudes de Oswald foram obtendo maior repercussão entre as novas gerações e isso se deve em parte a uma identificação com a idéia de Antropofagia surgida, em 1928, através do Manifesto Antropofágico, que teve sua primeira leitura na casa de Mario de Andrade e posterior publicação na Revista de Antropofagia que Oswald fundou com Raul Bopp e Antônio de Alcântara Machado. Na assinatura do texto publicado no primeiro número da revista, vinha escrito:

Oswald de Andrade Em Piratininga Ano 374 da Deglutição do Bispo Sardinha."(Revista de Antropofagia, Ano 1, No. 1, maio de 1928.

Isso fazia menção a um episódio da história do Brasil datado de 1554, em que o Bispo Sardinha teria sido devorado pelos índios Caetés que acreditavam que assim procedendo adquiririam suas qualidades. Não se sabe ao certo se essa história ocorreu, mas é fato que serviu ao movimento antropofágico e posteriormente aos tropicalistas, como metáfora da proposta de digerir a cultura estrangeira para regurgitá-la posteriormente transformando-a em algo novo e autêntico.

16:30 Parando por aqui ... (ou não!)


Dicas de Leitura:

Se eu entrasse em férias agora e fosse para um lugar quente, leria Quincas Berro D'Água, deJorge Amado. Se fosse para um lugar frio, leria o Tempo e o Vento de Erico Veríssimo, para ficar entre autores brasileiros clássicos. Ainda dentro dos clássicos, visitaria Irmãos Karamazov de Dostoievski ou Ilusões Perdidas e sua continuação, Esplendores e Misérias das Cortesãs de Balzac. Aprende-se muito sobre o ser humano lendo esses autores.

Se fosse aconselhar livros mais recentes, sugeriria algo como A Sombra do Vento de Carlos Ruiz Zafon, de quem já falei aqui ou a Elegância do Ouriço de Muriel Barbery e, ainda, Leite Derramado de Chico Buarque.

E já que falamos no assunto, por que não Serafim Ponte Grande ou Memórias Sentimentais de João Miramar de Oswald de Andrade.


22:27  Finalizando: Luan a idéia é essa mesmo, São Luis, Fortaleza, Natal, Recife, Aracaju, Salvador, quem sabe Maceió. Estou participando do disco de uma cara do Sergipe, o Rubens Lisboa, você conhece?  

Sara , foi legal aquele show em Campinas e realmente caiu um pé d'água muito forte. No lançamento do novo CD, voltaremos ao estado de São Paulo e, além de Sampa, estão pevistos shows em Campinas e Ribeirão Preto. 

 Zoé, é claro que conheço a praia das Areias Brancas. Era bem bonito na minha infância e incrível que ali houvesse aquela areia, tão alva como areia litorânea. Passei recentemente por lá, apenas para visitar,  e me pareceu que há menos areia do que antigamente. A prefeitura permitiu que carregassem aquela areia tão linda? Venderam, usaram pra construção ou é impressão minha?

Juliana ainda não tive tempo de assistir aos documentários de que você falou, mas estou muito curioso, principalmente com o do Simonal, que foi um fenômeno e cujos filhos (principalmente o Max de Castro) são meus amigos.

Bárbara, você viveu 17 anos sem conhecer cinema? Incrível sua história. não conheçoMarabá, apenas do filme Bye Bye Brasil do Cacá Diegues. Acho que algumas cenas se passavam por lá, não?

Ligia, Veluma, Hannaly, Belle, Kyana, valeu pela presenca constante. Desculpe se eu esqueço alguém, mas vou fechar a tampa e assistir à Som e Fúria. 

Dica de Leitura de Última Hora:  A Chama Misteriosa da Rainha Loana, de Humberto Eco



Abraços




sexta-feira, 10 de julho de 2009

CINEMA, MÚSICA E TV







Sexta Feira, 10 de Julho

Acordei um pouco antes das sete. Mais um dia cinza e chuvoso em Porto Alegre. Termômetros marcando 13 graus. Uma massa polar que chega aos pagos gaúchos promete neve para amanhã na região serrana com possibilidades de respingar também aqui na capital. Isso significa que a temperatura cairá pra zero. Mas isso é mole depois dos dias de frio que peguei na Europa no começo do ano, com 8 negativos na Alemanha. 

Não consegui postar nos últimos 2 dias. Muita correria. Hoje, o começo do trabalho é com o Tiago,  engenheiro de som, então estou com mãos e cérebro livres pra escrever um pouco. 

Aproveito pra principiar falando do meu interesse por cinema, que comecei a discorrer no campo dos comentários do último post. Em São Gabriel,  cidade em que nasci e passei meus primeiros 8 anos e meio de vida, havia 2 salas de exibição, o Vitória e o Harmonia. Ambos eram misto de teatro e cinema e por lá se apresentaram muitas troupes de teatro vindas de outras regiões do Brasil rumo ao Uruguai e Argentina.  Para se fazer teatro, o Harmonia era mais aceitável, tinha um palco mais profundo e um pouco mais de estrutura e, segundo minha mãe e minha avó, por lá passaram espetáculos de alto nível. Na minha infância assisti apenas a uma montagem de teatro infantil de um colégio no Harmonia e a uma comédia com o humorista Costinha no Vitória.  

Mas o Harmonia foi ficando com fama de pulgueiro, então eu costumava frequentar as matinés de domingo no Vitória. Esse cinema ficava quase em frente à casa de minha avó e tinha sede no mesmo sobrado onde morava meu tio Benedito com sua família, cuja porta de entrada do apartamento ficava ao lado da cabine de projeção. Lembro ainda da luminosidade, dos ruídos e do cheiro daquele lugar. Cheiro de acetato. No começo de minha adolescência quando ia para as férias, seguidamente ficávamos lá, em absoluto silêncio, eu, meu irmão Gastão e meu primo Didito vendo os caras trabalharem, fazendo os cortes de um projetor para outro, o que às vezes dava errado, ficando a tela em branco e incitando os apupos da platéia. 

Ficamos amigos dos  projecionistas, a quem levávamos café no inverno e água gelada no verão e muitas vezes eles nos permitiam assistir através das janelinhas da cabine a filmes proibidos para menores de 14 anos.  Um desses filmes que vi foi Love Story, uma história de amor de dois adolescentes, com roteiro que, em alguns aspectos, lembra um pouco Romeu e Julieta e que teve diversas indicações ao Oscar em 1971,  de melhor filme, melhor diretor (Arthur Hiller), melhor ator (Ryan O'Neal), melhor atriz (Ali MacGraw), melhor ator coadjuvante  (John Marley), melhor roteiro  (Erich Segal) e melhor música (Francis Lai). A música era mesmo marcante e foi vencedora do Oscar. Certamente muitos de vocês já ouviram essa música. No link abaixo tem o trecho mais conhecido. Não encontrei uma versão inteira.

http://www.lastfm.com.br/music/Francis+Lai/_/Theme+From+Love+Story?autostart

Aquela situação mágica daquela cabine, com seus projetores enormes, que faziam lembrar Cinema Paradiso, foi, em parte, responsável por acurar meu gosto pela sétima arte.

Nessa época, em São Gabriel, que tinha uma retransmissão vinda de Porto Alegre, a TV só pegava, ou só tinha programação à noite. Se não me engano, o sintonizador do primeiro aparelho da minha família era de rodar, como um dial de rádio e, às vezes, eram captados canais em castellano que passavam desenhos à tarde. Mas isso era muito raro. E, de qualquer forma, eu preferia brincar no quintal, subindo em árvores, jogando bola, andando a cavalo e tomando banho de rio a ficar trancafiado em casa diante de uma telinha.

Quando mudamos para um apartamento em Porto Alegre, a televisão foi aos poucos se impondo. 

De certa forma, cinema e música sempre estiveram ligados para mim, porque quando ouvia discos sempre me deixava levar, imaginando a situação da letra quando se tratava de uma canção ou indo ainda mais longe quando ouvia música clássica, criando mentalmente enredos e paisagens que as melodias e harmonias iam me sugerindo.

Por isso adoro esse trabalho de musicar cenas. Coisa que já fiz muito para teatro e dança e algumas vezes para o cinema. Essa trilha de agora é a mais complexa e, felizmente, a melhor que já compus até hoje. Sinto-me muito mais próximo das musas e sinto que elas falam comigo.

12:08 Vou  interromper um pouco nossa conversa pra dar atenção à mixagem. Depois eu volto.

15:04 Som e Fúria continua arrebentando. No capítulo de ontem,  Andrea Beltrão, na manhã seguinte a uma conturbada festa que ela dera em sua residência, com a cara "destruída", tomando um drink na frente da casa completamente desordenada, fala pra faxineira que chega: tem uma baguncinha ai dentro. A moça tá dando um showzaço. 

Já falei bastante do Pedro Paulo Rangel no post passado. Ele está confirmando minhas expectativas com louvor, com um tempo cênico sensacional. E estou gostando muito do trabalho do Felipe Camargo, que estava sumido e que está mais do que convincente em seu papel, está denso, vivo, real.  De uma forma geral todos atores estão muito bem, o Dan Stulbach, a Regina Casé.

Adorei o humor, as ironias do texto. Há alguns subtextos que talvez só sejam  familiares pra quem trabalha com produção cultural, mas que também não interferem no acompanhamento da trama para quem não é do meio. É apenas uma cereja no bolo para os famliarizados com o assunto. O crítico teatral Bárbaro, por exemplo é inspirado na crítica teatral Bárbara Heliodora que escreve no jornal O Globo. No primeiro capítulo, após a estréia de Sonho de Uma Noite de Verão ele diz para Elen (Andrea Beltrão) que se ela quiser saber sua opinião sobre a peça que compre o jornal no dia seguinte, mas que por outro lado eles podem jantar juntos e que o texto pode ser mais favoreavel. Dizem alguns (não sei porque não conheço pessoalmente) que a Heliodora, especialista em Shakespeare, é sempre mais condescendente e até generosa em seus comentearios para com quem ela tem relações de amizade.


Outra figura importante do mundo do teatro que é lembrado na minissérie é Gerald Thomas. O diretor chamado para dar continuidade ao trabalho de Oliveira (Rangel) após sua morte é Oswald Thomas, que, a cada frase, intercala, pelo menos, uma palavra em inglês, tal qual Gerald. Dante (Felipe Camargo) desafeto de Oswald, por provocação costuma chamá-lo de Geraldo. Essa história referencia um episódio acontecido nos anos 90. Num evento ocorrido no MAM, Caetano Veloso e Gerald Thomas protagonizavam a leitura de um texto, quando, em dado momento, irritado com a performance displicente de Gerald , Cae parece ter dito algo como: "assim não dá, o Geraldo não dá as intenções da fala" .


O Gerald ficou puto e saiu de cena. Mais tarde, acho que pela imprensa, o Caetano justificou-se dizendo que o chamara de Geraldo, fazendo referência ao Oswald de Andrade que  era carinhosamente apelidado de Osvaldo por amigos. Parece que Caetano e Gerald só fizeram as pazes um tempo depois quando o encenador dirigiu Gal Costa em um show.


Outra menção a um fato real, só que mais sutil é quando Ricardo (Stulbach), ao receber Graça (Casé),  substituta de um funcionário da Secretaria de Cultura, a chama duas vezes de Grassi. Ela o corrige dizendo que é Graça e não Grassi ao que ele responde, "é a força do hábito pois trabalhei muitos anos com Grassi". Para quem não lembra, Antonio Grassi era o Diretor da Funart e foi substituído por  Celso Frateschi,  num episódio controverso que revoltou boa parte da comunidade cultural.


Bom, mas chega de Som e Furia, que já estou parecendo aqueles caras viciados em Lost, que não falam em outra coisa.


Dani, como disse Hannaly, Twitter é um pouco demais pra mim nesse momento. Até já estou inscrito, mas não costumo postar lá. Tenho medo que vicie. Gosto desse tempo de escrever saboreando, com um pouco mais de reflexão. Mas não digo que desse twitter não provarei, só que ainda não está me apetecendo. De qualquer forma, obrigado pela sugestão.


Juliana, obrigado pela dica, muita gente me falou de Estômago, mas ainda não vi. Gosto muito do ator principal, João Miguel, que atuou tambémem Aspirinas e Urubus. Também estou curioso com os três filmes do Selton Mello que estão em cartaz. Como disse Paulo Betti em uma entrevista, ele é o centroavante do cinema brasileiro. Está sempre bem em todos os seus papéis. Adoro Cheiro do Ralo, que vi no cinema e outras duas vezes em casa no Canal Brasil. O mesmo aconteceu com Meu Nome Não é Johnny. Também já falei aqui em um post do ano passado sobre o primeiro filme de Selton como diretor, Feliz Natal, que também gostei muito, tem um ritmo semelhante ao das suas falas como ator.


Aqui no estúdio, as coisas estão indo muito bem. A trilha está ficando com um sonzaço de arrepiar. 


Quando cheguei aqui para mixar foram surgindo novas idéias e acabei compondo e gravando outras músicas o que alterou um pouco meu cronograma, mas enriqueceu bastante o trabalho. Ontem ainda gravei vozes de Denise Fontoura, de quem falei no post anterior, e  de Gelson Oliveira, esse um grande artista, cantor e compositor que está lançando em agosto um disco excelente que vem acompanhado um belo texto de apresentação de Gilberto Gil.


Ainda ontem pela manhã, compus uma música nova cuja melodia foi gravada por Jorginho Trompete tocando Flugelhorn. Esse cara também é muito fera e já trabalhamos juntos há muitos anos. 


Felipe, não sei de que fronteira você é, mas o filme também foi rodado em uma região fronteirica, nos municípios de São Gabriel, Bagé, Caçapava e arredores. Isso foi uma boa coincidência, que tenham me chamado para fazer a trilha de um filme com imagens captadas na região de minha infância.


Mas o filme não é regional, não faz nenhuma referência ao local onde foi filmado. A trama pode se passar em qualquer parte do mundo, não aparecem dados culturais nem mesmo sons de natureza, objetos ou diálogos que possam evidenciar o perfil geográfico de onde se passa a história.


A pré-estréia do filme será dia 30 de julho, simultaneamente em São Paulo, São Francisco (EUA) e Tóquio, em sistema digital 4k, que, como expliquei em outro post, tem uma definição de 8 milhões de pixels.


A trilha sairá sim em CD na época do lançamento nos cinemas, que acredito será mais para o final do ano.


Hoje à noite vai rolar um encontro de músicos e velhos amigos, na casa do Rebu, meu irmão que mora aqui.  


Bom fim de semana pra todos.

Abraço



Fotos
Fios contra o céu de Porto Alegre na manhã de hoje
Craviola Giannini: Esse instrumento ficou com um sonzaço na trilha
Antonio e Jorginho 
Jorginho e seu Flugel Horn
Antonio e Gelson Oliveira 


terça-feira, 7 de julho de 2009

PEPÊ, SOM, FURIA E GRAVAÇÕES EM PORTO ALEGRE










Segunda-feira 06/07/2009    No Ar

23:20 Voando para Porto Alegre, acabei de ler, na revista da TAM,  uma matéria sobre Som e Fúria, minissérie que Fernando Meirelles está dirigindo para a Rede Globo, com Pedro Paulo Rangel, Andréia Beltrão, Débora Falabella,  Rodrigo Santoro, e outras feras. Segundo resenha que li em algum site, a minissérie mostra os desafios de um grupo de teatro para manter a qualidade artística de seu trabalho em contraste com as exigências comerciais e de público. Com ironia e bom humor, questões pessoais e profissionais entram em conflito, criando tramas e dramas entre atores, diretores e patrocinadores.

 Fiquei muito feliz ao saber que o PP Rangel é protagonista, porque sempre admirei seu trabalho, no teatro e nas telas . Ele é de fato  um dos grandes atores brasileiros. Trabalhamos juntos nos anos 1990 quando fiz a trilha da peça Circo da Solidão do saudoso criador e diretor Márcio Vianna no CCBB, no Rio de Janeiro. A peça era sobre Werther , um Werther multiplicado em passado, presente e futuro,  espelhando seu autor, Goethe, e Roland Barthes que o releu brilhantemente em Fragmentos De Um Discurso Amoroso. O Pedro Paulo fazia um dos papéis principais, o Werther do futuro que julgava a si mesmo em seu momento derradeiro numa brilhante atuação.

No começo do ano, encontrei o Ary Fontoura, quando fui convidado por Edson Celulari a fazer um show surpresa no aniversário de Claudia Raia, a Donatella de A Favorita, que estava em seus capítulos finais, e que eu acompanhava como acompanhei Cobras e Lagartos, ambas novelas de João Emanuel Carneiro. 

Fui comprimentar o Ary, por tratar-se de um ator cujo trabalho também admiro há muito tempo. Ele me respondeu: "Você fala isso porque agora estou na moda."  Eu lhe disse, "Não é verdade, eu lhe acompanho e lhe admiro desde os tempos de Saramandaia (1976) e sentia falta de vê-lo mais seguidamente." Ele ficou surpreso qcom minha resposta, pois andava meio sumido. Pois agora ele já emplacou em outra novela

Por isso torço agora que o Pepê também fique na moda, pois quem ganha com isso é o espectador brasileiro. Mais um ponto pro Meirelles.

A propósito, Som e Fúria estréia  hoje a noite, depois de Casseta e Planeta.


Terça-feira, 07/07   Em Porto Alegre

11:30 Estou no estúdio Soma, do Tiago Becker com quem vim onde vim finalizar as gravações e mixar a trilha do filme. O Tiago é um engenheiro de som muito fera que trabalhou alguns anos nos melhores estúdios de Los Angeles e que agora tem sua própria sala aqui em Porto Alegre.  Já trabalhamos juntos anteriormente, quando ele fez as gravações e pré-mix dos meus dois discos ao vivo com orquestra e também operando o som em diversas tournés. É um cara em quem confio muito. 

Começamos a sessão gravando uns violões com o Paulinho Fagundes, que é um excelente músico de uma família de artistas muito conhecidos na região sul do Brasil. 

14:07 Tá batendo uma fome incrível. Mas ainda vamos seguir aqui por pelo menos mais uma hora. Tem que cuidar pra não ficar tomando cafezinho, porque em estúdio pode começar como desejo e  acabar em compulsão.


15:00 Saída pro almoço.


16:00 Voltando do almoço, comida caseira, com feijão mexido, couve, salada e legumes no vapor.


            Agora vamos gravar  umas percussões com outro grande músico, Giovanni Berti, que tem sobrenome italiano e cara de índio. São essas miscigenações que conferem ao brasileiro tanta musicalidade e espírito universal.


O Giovanni trouxe um vaso marroquino que tem um som muito interessante. Inspirou-me uma música nova, que vai encaixar como uma luva numa cena cuja trilha ainda não me havia satisfeito.  A trilha, de uma forma geral está mais acústica com duas músicas orquestrais. Não há bateria, nem guitarra elétrica em nenhuma delas, em alguns casos, coloquei loops que estamos complementando agora com percussão acústica ao vivo. Agora que estou terminando a parte de criação e gravação e que entraremos na parte de engenharia sonora, começo a sentir saudades de todo o processo de concepção desse trabalho.


17:20 Acabamos de receber a visita de uma querida amiga,  a cantora, flautista e saxofonista, Denise Fontoura, que chegou de um Concerto para Juventude com a Orquestra de Câmara de Theatro São Pedro. A Denise morou anos em Viena e me hospedou em sua casa algumas vezes. Em 2005 gravou comigo o CD/DVD Sinal dos Tempos.  É bem possível que ela grave alguma coisa aqui na trilha.


18:30 Fechando a tampa por hoje. 


À medida em que as mixagens forem ficando prontas, vou disponibilizar para escuta no site oficial e my pace:

www.antoniovilleroy.com

www.myspace.com/antoniovilleroymusic  


Amanhã falamos mais.

Abraços.


Fotos: 

Pedro Paulo Rangel Shakespeareando em Som e Fúria

Tiago Becker

Paulinho Fagundes

Giovanni Berti
Denise Fontoura
Tiago, Antonio, Denise, Giovanni